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Minha Vida de Pintor / IX

E ali estava a arte fazendo ciência, a arte querida, solidária e eternamente humana. Arte e objetivo; eis uma questão. As balanças coexistem nos extremos. Para se pintar um quadro deve-se começar com fissão nuclear e acabar com um suspiro de rosas. A arte bem que devia e podia ser uma janela aberta para o mundo, inclusive da arte. Devia-se auto-revelar-se, ela e o invisível. No invisível -, é aí que começa a arte. É também a única profissão possível, sabe-se, seja você um poeta ou um jardineiro, o mais ardente desejo e a melhor ferramenta do desejo. Era a noite das origens, o ordinário permanente, o apalpar-se a bunda da divindade. Ora, se a arte tem função espiritual então é religião, não arte, pois arte é obra acabada. Enfim, a arte sou eu. E só existe a pureza, e a hora, senhores, é dos senhores e não dos artistas, ainda que estes se alevantem no quotidiano dos horizontes. Sem erro nem retorno, era assim que eu queria, uma tela que não permitisse o esboço, nem a correção, uma tela como a minha, tela nova, que tudo muda e melhora. Sim, os artistas me interessam. E me interessa a arte, objeto de si mesma, ela e o artista juntos, distantes do mundo crepuscular (belos e demorados) dos críticos criticantes, dos curadores dos corredores oficiais e dos jornalistas poderosistas, pois a imprensa pode apagar as individualidades, massacrar os companheiros, mas jamais as pessoalidades - a pessoa, ela carrega o artista -, é a pessoalidade revelada. Não, nunca acredite no que faz um artista, não, não, não me interesso pelo virtual e sim pelo radioso, pelo alegre, pelo vivo reinventado, o pintor o bom combatente do bom combate. O que criava com um escravo, ordenava como um rei e trabalhava como Deus. Mas de pouco valia saber que a técnica cria, e a arte fabrica. Não, jamais me perco, sempre me encontro, sempre perco. Não é preciso esperar, basta perder. Pinto e perco, mesmo a guerra, e tenho a paz. Pintar, escrever como pintar, aqui onde as cores são lembranças e as linhas letras agarradas, muitas letras e cores numa só letra, numa só cor, tudo linha colorida regulada pela liberdade. Sempre estive perto da linha, desde menino transpunha os muros dos vizinhos e excursionava pelos mares nunca dantes navegados, a liberdade como regra, afinal, eu era a linha - e é sempre assim: começo pintando um leão e termino me retratando, simplesmente porque me é mais próximo e fácil. Escolho o tema e me revelo. Pinto na horizontal, num cavalete horizontal, de igual elegância e afastamento da tela; posso andar também em volta da pintura, sem recear pisá-la e nem me curvar como Pollock, mas, se quiser, posso pisá-la, como faço com as telas muito grandes. Só preciso mesmo é de um só pincel. Dois no máximo. Poucas tintas, muitas cores. Eis uma boa pintura, um bom fazer, eu criador de vida, para pintá-la em cores de saíra-das-sete-cores. Nada mais silencioso. As palavras podem vir depois da obra feita, nunca antes, raramente durante. Enfim, ir domando os acidentes e deles se superando.Sem erro nem retorno. Cada quadro um quadro. Cada quadro um dia. Dois, três no máximo. E eis-me sempre em busca do defeito inusitado -, e se eu pinto desta maneira é porque nunca a persegui. Roubei de tudo, de comida à terras, de terras a amores e por isso sou pintor. Não, eu não sou primitivo. Sou pessoal, talvez arcaico. Primitivo é o Leonardo da Vinci.
Amanhecer nas Andorinhas / Ouro Preto / Minas Gerais / 1990
Palavras, palavras... ao contrário do que dizem, falam muita coisa. Não tanto como uma imagem, mas, como expressar em imagem (certamente com um jarro de flores) um pensamento crítico assim formulado: Eu me sinto mais perto da boa arte acadêmica do que da má pintura moderna, até porque a pintura moderna, hoje, são as más artes plásticas, uma modalidade de má arte acadêmica. Distancio-me de tudo e de todas.
Já a arte é sempre excêntrica, pode ser vista num novo jarro ou jarra, ou ambos, de flores, flores feitas através de um comando, floras novas para uma nova botânica, feita de pinceladas vivas. Excêntrico eu possuo a cor, trago-a gravada nos olhos, nos ombros, cara, peito e costas pelo sol dos muros ensolarados do Encantado, dos campos de pelada e das praias de Ipanema, Leblon e Arpoador, principalmente, pois ia também com papai e meus irmãos para um sítio muito lindo, em Coroa Grande, uma localidade afastada a que se chegava por uma Maria Fumaça -, lá fixei para sempre o cheiro da pitanga, lembro-me do raso fundo do mar e que eu entrava pelo mar adentro, como Iracema, bela e digna -, e dos belos siris azuis e dos peixes prateados atacados pelas moscas, e as pobres tartarugas marinhas , vivas e mortas, debatendo-se nos cascos virados ou já ocos, os camarões ainda vivos, à vontade. Papai fazia excelente risoto com camarões grandes e muito azeite português. Era lindo quando o trem  finalmente chegava ao mar e o panorama mudava... Mas, o que ainda mais gostava, naquele ramal ferroviário de Mangaratiba, era a antiguidade que patinava tudo, as casas centenárias, a vida antiga presente, a mesma que vivi em Pompéia e Roma, e que tanto vivo aqui em Tiradentes, São João Del Rei e Ouro Preto, em em Mirantão, e enfim, em todos os lugares onde vivi e dormi.  Sempre dormi com a antiguidade pictórica, digo, a antiguidade plena de verdade colorida, plena de verdades belas. Cores, cores para los vivos, gostos, linhas para os homens de Epicuro, gestos coloridos, linhas coloridas, vazios coloridos para mim; manchas, preto, muito branco, luz, luz formando formas, formas coloridas, cor, tudo é cor, tudo coisa inexistente. Protesto, eu protesto contra esta tintura geral, na natureza, nas artes, pelas ruas e casas da cidade. Tintas metidas a cores, pobre mídia édita e ineditada. Um pintor exemplar, um escritor inexemplar. Cores, linhas, quimeras, na natureza tudo devia ser inventado. Inventado e não somente com linhas de cores, ou cores como linhas, tanto faz, mas com linhas, cores, e tudo mais que não estivesse, naturalmente, naquela natureza empobrecida. Pintar como um monge, aprender o eremitério das cores e das linhas, estar sobre a natureza como se montado num corcel inteligente. Pobre natureza, eu devia ser ela, amá-la como um solidário, afinal, ela era parte de mim e eu a devia enriquecer, purificar. Nada dever, enriquecer e purificar -, e não só mamãe, a minha natureza, mas a minha genealogia genética e cultural, a minha e a vossa. Enriquecer na arte e purificar na vida. Uma tarefa muito simples e um desafio muito bonito e belamente combatente, este, o de colorir o mundo a partir da vida pintada. E assim, sem muito bem o saber, Promeu o pintor foi nascendo, e já jardineiro e pintor.
Casario / Ouro Preto / 1990
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