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Minha Vida de Pintor / XXII

Antes porém devo narrar, caros leitores, das circunstâncias que me fizeram perder o úmero, esse osso tão importante na vida de um pintor, como pensava. Quando tal tragédia se deu, o longevo diretor do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, Ruy Mourão, comentou que o sucedido com o Aleijadinho foi "pinto” (ele usou esta palavra e a sublinhou com a voz, querendo dizer, talvez, que à época do magnífico escultor brasileiro, quando Deus ainda existia, em sua bondade magnanime, distribuía cobertores aos pobres que morriam de frio. De modo que, no caso, fora dar-lhe uma pedra muito domesticada e macia e que só tem ali nos arredores de Ouro Preto, uma espécie de outro ouro, cinza, mais pra verde e preto, já que tudo é cinza na natureza e azul no céu). Mas, voltemos ao úmero, já que a dor que senti e o desespero, até sublime, de não mais poder pintar, nem escrever, pelo menos com a minha mão elegante, a que ensaiei por toda a vida, a exprimir-se como a da minha pintura, esta dor, com certeza, foi tão enorme quanto à do Aleijadinho. Viva eu - respondi, que não era aleijado.
Cidinha como Minerva / 1997
Mas, vejamos os erros, pois ninguém pode ser pintor e também escritor -, já que só conheço eu e o Ni Tsan. Mas, vejamos meus erros. Creio que o primeiro tenha sido um soco que dei num Golias de uma gang rival no Colégio Batista, na Tijuca, no Rio,  um colégio horrível e lindo, onde eu fugia pelo Rio Trapicheiro, um rio de pedras pretas e cheio de borboletas azulões -, azulões, tanto que as pintei por toda a vida. Imaginem. Eu não pinto borboletas, pinto azulões. Alguns até amarelos... Mas foi um soco terrível. Golias era bem mais velho que eu, um rapagão na verdade, e caiu como eu imaginei (vi nos filmes e li nos livros) ter caído Golias, atingido, no caso, por um soco que, e eis a velha Justiça divina, tinha me aplicado antes de tudo em mim mesmo. Senti uma grande dor. Golias caiu, mas meu ombro sentiu. Uma dor enorme, que me atravessou a meninice. Um dia ela sumiu, abafada e substituída por outras dores ainda maiores.
Um dia, estringídico por excelência, repletos de corujas, pois eu ainda acreditava em bruxedos, e eis que me aparece a Ditadura, e pior, eu contra ela. Resisti o mais que pude, não matei, não assaltei, embora tenha muitas vezes tido vontade. A solução foi sair do Brasil via Harvard, Mass.USA -, e depois via Pro-Deo, em Roma. O tempo que passava lá fora eles me esqueciam, pois outros jovens ainda mais maravilhosos que eu, lutavam em meu lugar, por mim, e eu em outros lugares por eles. Pois bem, o túnel Rebouças, que liga a Zona Sul do Rio ao Andaraí e a Tijuca, com saída pras Laranjeiras, era naquela época uma tripinha para um carro só, pois fora inaugurado inacabado, e eu estava justo conduzindo meu fusquinha recém-sorteado no consórcio (era o primeiro consórcio realizado no Rio e eu fui o primeiro a ser sorteado) para ser vendido e com o dinheiro comprar a passagem para Roma, quando percebi logo à entrada do pavoroso túnel que o condutor do carro da frente me olhava meio paranóico (talvez fosse eu o paranóico) e foi dirigindo o mais devagarinho possível, me sacaneando, o que me irritou, e eu cometi a tolice de buzinar insistentemente durante todo o percurso. Pois bem, findo o interminado interminável túnel, ele parou e soltou do carro, fulo. Estava de uniforme do Exército brasileiro e tentou me prender. Eu escapei dando-lhe um duro soco no queixo, o meu segundo soco no meu próprio úmero, e tanto que o  doeu muito, e por muito tempo. Ele caiu, eu corri com meu fusquinha e no dia seguinte estava em Roma, pois naquele época era mais fácil viajar de avião do que de fusca, não tinham filas,etc. - e fui curar meu úmero no solzinho gentil da Piazza Navona, onde ia todas as manhãs, tardes e noites. Garoto de Ipanema, fui depois um ragazzo da Navona. Ma, depois eu conto.
Meu terceiro erro foi poético. Vivia em Mirantão e costumava ao voltar do arraial para os meus domínios atirar umas pedras chatas num poço manso para vê-las saltitando tentando voar, para depois afundar, como um pato pesado. Um voo de pedra. Haja pedra no caminho. E não deu outra. Um dia eu tinha que decidir se ia morar na Austrália e talvez estivesse um pouco tenso, não sei, sei que um arremesso de uma dessas pedras me fez doer fortemente o ombro, que à época eu não sabia ser ainda o úmero. Eu andava meio fraco dos ossos, depois de uma dieta vegetariana restrita de 30 anos, sem ovos, leite, carnes, peixes, só mel, café e salsaparrilhas, que algumas vezes cultivei em minhas próprias terras.
Cidinha com chapéu / 1997
 
 
 
Mas houve uma outra vez, e esta ainda mais dolorosa, insistente e permanente, pois me acompanhou por três décadas de escritor e três décadas de pintor. Escrevendo a mão e a lápis, afinando o estilo com olfo, peripatético pelos campos de Minas e da imaginação da minha juventude carioca e mundana, escrevi milhares de páginas cheias de vidas e que, ao me fazer viver, iam me roubando o úmero. Foi quando tolamente pactuei com o Diabo. Disse-lhe querer  a fama e a riqueza para que pudesse junto com os outros contemporâneos e alguns precedentes, e futuros, continuar a evolução humana, no meu caso, fiz questão de clausular, através a purificação do dinheiro. Caso não conseguisse viver dos meus escritos, pois não havia leitores e as próprias editoras matavam os livros que publicavam porque tinham que lançar outros, sempre... uns por cima dos outros, eu o teria, digo a fama e a riqueza, com a mais nova e linda pintura jamais pintada, uma pintura sem úmero. Sofri duas cirurgias terríveis no prazo de dois anos. Uma para cortar o úmero gasto e apodrecido, já de tanto pintar e atirar pedras, e outra para retirar o úmero de tungstênio implantado, que não se deu bem comigo. Por três meses meu ombro purulou, mas nem assim parei de pintar. Pintei até o fim que não se deu. Um dia, tendo que ir pintar e expor na Califórnia, e estando meu ombro purulando, dou graças a Cidinha o ter me feito os curativos e os disfarces para poder entrar nos Estados Unidos. Agradeço-lhe muitíssimo tudo que sem nojo ou maldade fez, só por dever de solidariedade, ela, a minha amada Cidinha. E que não foi pouco. Enfim, hoje vivo sem úmero, pinto vários quadros de uma vez, e o que me parece mais original, tão rapidamente quanto os termino, quase que como um só. Mas, quedo a imaginar o milhão de letras e traços, linhas, fótons e cores que este meu braço com e sem úmero fez, ao longo destes tantos anos de dura escritura e leve e radiosa pintura.
Alguém já disse que um pintor precisa de pernas para chegar à paisagem. Andar, andar que um pintor não necessita de nada.
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