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Minha Vida de Pintor / XXVI

Hoje, contudo, já não tenho ganas de roubar quadros de ninguém, nem mesmo um desenhinho de Tarsila me enche os olhos. A pintura tem isto. Depois de milhares de imagens, não tenho mais a paixão da mocidade quando via um bom quadro e me encantava. Ao tempo que ganhei a minha própria imagem, perdi muitas das que amava. Gostei, me influenciei e já não gosto mais. Novamente meus pintores se parecem com as minhas mulheres, gostei, já não gosto mais, hoje gosto muito mais do que nunca. Mas aqui eis um belo conceito errado de Renoir, ou seja, de que não valia a pena uma segunda mulher, pois ia sendo sempre pior...  Que pena. Não, não tenho saudades do tempo que bastava ser pintura para que me apaixonasse. Gostava tanto do pintor que muitas vezes a obra amada me entrava de graça. Ou seja; antes de ser pintor eu já amava a pintura, ia aos museus e frequentava os antiquários. A sorte, talvez a fuga, me fez visitar muitos países e, se me perdoa Mário de Andrade, eu antropofazia todas as cidades, os campos, as pessoas e as flores, falsificando aqueles dinheiros daqueles inventores deste dinheiro, imitador de pinturas, tentando me enganar. In God we trust. O verdadeiro dinheiro era a pintura. Mas, ingrato artista, muitas obras que antes admirava hoje quando muito respeitava, muito, pois creio gostar mais do artista do que da obra. Extasio-me diante do Nascimento de Vênus, de Botticelli, do David e da Pietá de Michelangelo, e do Embarque para Cítara, de Watteau. Constable me faz declinar. Viro poeta. Fragonard me faz jardinar. Mas, admiro e respeito também estes artistas soldados da arte, que quase anonimamente vão sensibilizando as pessoas pelas ruas, e por todos os lugares. Mas nada pior que o soldado que se julga general. A arte parece morar à beira de um regato em flor (mesmo que seja de mercúrio). Recentemente, visitando o Museu do Vaticano, corri como um turista as longas galerias, hoje de uns três quilômetros e fiquei irritado com a porcariada que vi no caminho. Não precisava nem olhar, minha pele repelia. Uma quadralhada de papas, de virgens encomendadas, meio descabaçadas, e santos e mais santos, tudo voando no pseudo éter do sublime. Mau gosto à direita, mau gosto à esquerda. E até que por fim nos aproximamos da Capela Sistina, ou mais exatamente, da óbvia visão de Deus a fazer o homem com o toque de seu dedo, e eis que de repente somos levados a um corredorzinho estreito, com umas alamedazinhas sem saída, onde estava a nata da imagem italiana da geração anterior, Gutuso, pobre Gutuso, glória do Partido Comunista Italiano, quase morto lá num canto, com seu preto de carvão de osso tão lindo e forte, e absolutamente sem cor. Cor nenhuma. Velásquez, Goya, Rembrandt, Rafael -, e então após Morandi e os seus objetos que em verdade eram os meus, vivia uma Itália que conheci viva, mas já no finzinho, nos anos 60, pois bem, ali Rafael, o maior pintor da Renascença, o mais pintor dos pintores, o anjo de Fra Angélico... ambos eram apenas uma capela que todos passavam e nem olhavam, pois uma placa pré-anunciava a Capela americana, digo, Sistina. Mas, vanitas vanitatis, deve ser inveja minha, pois estão ali e eu não. Sorte minha, disse Melina, pois  nenhum lugar maior que Pompéia, sua história, sua arte, aquele desenho simples e correto, aquela arte sacana e ao mesmo tempo esportiva, apolínea, grega, nascida talvez de algum pintor excêntrico do antigo Egito -, tudo, enfim, ainda me enche os olhos, e os vão encher para sempre, mas, é como se tivesse perdido o encantamento. É bom, mas já não os cobiço. Não os quero pra mim. Que fiquem lá onde estão para serem visto, hoje prefiro os quadros que convivem comigo, os meus e os de meus amigos e alguns até porque me caíram às mãos, por algum destino. Esta moça japonesa que me ilumina a noite, esta minha Natividade minúscula, mineira; o meus dois nus, o do Eliseu Visconti e o do Santa Rosa, o retrato do meu amigo Murilo Mendes, feito por Arpard e me dado pelo diretor de teatro Martins Gonçalves; o meu noturno terrível, que quis fosse belíssimo, pintado na noite em que os USA do Bush pai bombardeou Bagdá, na Guerra do Golfo; os meus passarinhos chineses pintados na seda, voando e pousados na magnólia branca, presente do poeta José Paulo Moreira da Fonseca; meu famosíssimo Jarro de Flores Vermelhas com Borboletas (hoje na coleção do meu amigo Cristiano Kok); o Pico do Itacolomy, de Ouro Preto, que Cidinha me pediu num dia de um seu aniversário; ela como Nossa Senhora da Ajuda, ou Minerva, ou Santana,  ao lado de uma Nossa Senhora também da Ajuda, bizantina, que veio de minha avó Alice, mulher de tanta fé, iletrada e muito inteligente. ...Quando menina morava em barracas com o pai que era engenheiro na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Um dia abriu um atelier de alta costura na Rua da Carioca do começo do século e conseguiu rapidamente ter uma situação financeira estável a ponto de trazer o meu avô Oscar, do Ceará, para o Rio. Por fim, o meu primeiro quadrinho, já na minha tela de vela de barco, e do meu jeito, e que nunca emoldurei.
Vela Branca com Duna Laranja / Ceará / 2004
Portanto, parece cada vez mais importante (será?) ter opinião neste mundo em que tudo é editado pela mídia onipresente e inconsciente, ou melhor, partidarista. Os jornais, como todos sabem, neste século de denúncias, as tevês que não vês, são partidos deles mesmos. Mas, penso que a tendência é a pessoas não quererem mais serem editadas. A arte e a cultura, ademais dos demais, vem se ressentindo muito disto, pois este é o mundo dos "espertinhos” que viram "preferidinhos” e isto, esta excrescência, vem atrasando muito o desenvolvimento do mundo. Mas, nada como o tempo e a verdade para por as coisas nos eixos. Vamos ver se duramos até lá. Neste século que há de ser dos jardineiros, Angkor e o Parthenon serão reerguidos, estou certo, este com sua estátua de Minerva, roubada de Phidias, o mais belo ladrão, e suas frisas roubadas, devolvidas finalmente  por England em nome da família Elgin, que tão bem cuidou delas, diga-se, pois algum tempo antes exércitos turcos fizeram delas alvo no Parthenon. Sim; temos que reerguê-lo, pois vamos querer ficar admirando o Parthenon destruído pelos canhões? Eu é que não. Vacas sagradas existem, todos sabem, e bem sagradas, mas a tauromaquia da mídia está a lançar suspeição sobre tudo. Uma sorte de  azar, certamente. Se está no Vaticano, no Louvre, é porque é muito bom, e sabemos que não é bem assim, pois antes como hoje prevalecem as manhas das artes, e tudo passa sobre a terra e pelas mãos dos príncipes, papas e banqueiros. Velásquez  era maravilhoso, mas o que dizer de Velásquez? Se a natureza é (depois da paisagem) a mais silenciosa das artes, o homem é ainda mais silencioso quando pintado por um mestre pintor como... Goya retratou como ninguém a idiotice da família real. Depois, mostrou uma Espanha negra, terrível, que de vez em quando renasce, num Picasso qualquer e assustador. Renoir era um turrão de diamante, um verdadeiro pintor, acreditava nas mãos e nos pés do pintor. Acordava pintando e gostava de mulheres jovens, diz-se de maneira casta. Ele dizia que um artista orgulhoso corria o risco de morrer sozinho. Era panteísta e não sabia (e iria rir gostoso disto). ...O Balanço do Fragonard, a execução de Tiradentes, de Guignard, jamais os esquecerei. A Arte no auge, no seu momento de Ouro. Que importa que os espertinhos acomodadíssimos se aliem aos poderosos de plantão e ocupem sem cerimônia o lugar dos talentosos e virtuosos. E daí? Dizia Renoir, dizia eu, dizíamos todos. Não duvido que haja até um complô para acabar com a pintura, pois a encheram de conceitos elaboradamente bobos, fazendo da obra narração, pensação, perdendo a visão -, e tudo virou tédio e pequeno escândalo. Maria Martins no buraco da fechadura.  Renoir sim,  era um escândalo, como o serei  quando mostrar meus mil e tantos eróticos, e fico pensando como pode ele, um ser tão discreto, erotizar assim tão magnificamente os seus nus e não ter pudor de mostrá-los. Que monstro! Hoje, contudo, quando a imprensa só sublinha o já sublinhado, para se ser pintor famoso não basta ser excêntrico e pintar genialmente, é preciso sequestrar o Bin Laden, pelo menos,  ou mostrar a bunda num vernissage qualquer nos Jardins paulista. Hoje, não existe nada mais banal e elitista que exposição de artes plásticas, mas o que tenho eu a ver com isto? Já não se vêem pessoas do povo cochichando ao ver um pintor pinturando na rua. Os carros tiraram os pintores das ruas, os ladrões podem roubar as tintas e os críticos e curadores não nos defendem, e sumiram os marchands - Le Marchand c’est moi -, pois estão todos empregados nos institutos e centros culturais apoiados pelas leis de incentivos que nunca chegam liberadas, e que incentivam muito mais os espertinhos e suas entourages que os artistas. E o que tenho eu com isso, eu que vendo meus quadros na minha galeria pessoal (armazém) na frente da minha casa, orgulhoso comerciante de meus quadros, os mais caros do Brasil, e que muitas vezes dou. Fazem-se exposições, umas atrás das outras e só pra fazer currículo, não para mudar o mundo, ou mesmo a pintura. Os editores não lêem, os galeristas não vêem. Azar. Ficarão famosos, mas sem obra, já que perderam seu tempo fazendo carreira extra-arte. E serão como sempre esquecidos. Renoir não.
Falésia / Bahia / 2000
Renoir me lembra Federico, Federico Garcia Lorca. Nos trinta anos da morte do poeta, creio que em 68 ou 69 montei (ou animei) com a grande atriz brasileira Maria Fernanda, no Teatro da Praça, no Rio de Janeiro, um espetáculo cantado, dito e dramatizado, chamado Verde que te Quero Verde, muito bonito, dirigido pelo Amir Haddad. Fernanda, ela mesma, fez o poster publicitário que um amigo banqueiro ajudou a espalhar pela cidade. Não tinha meu nome, podia ter, mas eu nem me importava, já que amava Lorca e jovem ainda queria vingar o grande poeta andaluz. Nas vésperas da inauguração (era no tempo dos militares) o embaixador espanhol telefonou para o teatro e, imagine! pediu-nos para não estrear, pois seria uma provocação ao governo espanhol, que havia recentemente, monarquicamente derrubado o ditador Franco, o mesmo que  tinha assassinado o grande poeta por inteiro. Pra que mexer nas cinzas? - ele dizia. Respondi que o Brasil já não fazia parte das monarquias ibéricas, desde 1864. Ele ficou muito aborrecido e perguntou por que não tínhamos nos interessado por Antonio Machado. Agradeci e meses depois traduziu para o Playboy 10 poemas de Machado e enviei uma cópia a ele. Nunca tive resposta. Acho que também não gostava de Machado. Não era um homem machadiano, como Miguel de Unamuno, por exemplo, ou De Falla. A adaptação de Lorca foi um sucesso e fico imaginando o quanto Goya e Velásquez tiveram que aguentar de intimidações e desprazeres para poder pintar. Como os bobos da corte às vezes eram vítimas do mau humor e crueldades dos reis. Mas, eram os pintores do Rei. Hoje, o pintor é da Globo, da CNN, da Bandeirantes, do Itaú Cultural (o tal que tentou me deletar). Já não são admoestados porque não fazem por onde. Uma cambada de artistas domesticados, a caminho da prisão, tenho pena. Feliz o pintor que é excêntrico.
Livre, instintivo era o pintor rupestre. E o Brasil, assim como a Espanha, é o lugar onde mais e melhor se encontram exemplos desta arte, sendo que a nossa é ainda mais antiga e abundante (não tem cenas de caça e possui arte subjetiva, celular, aspiralada, coisas muito antigas, de mais de 50 mil anos). Um dia quis mostrar esta relação antiga, arcaica, entre a arte do velho mundo e a nossa, uma visão para além dos países e das culturas. Pedi ao Príncipe que me apoiasse, mas ele mal respondeu. Um dia chegou uma carta com o pomposo timbre da monarquia espanhola no arraial de Mirantão, com a sua assinatura de Yale. Digo mal porque lembrou-me que a Espanha tinha acabado de voltar à monarquia, e o empenho do Governo era em mostrar a atualidade reconquistada, não os arcaísmos. Isto quem me disse foi o Darcy Ribeiro, que era quem estava organizando um desses anos do Brasil na Espanha, à espera do ano do Brasil no Brasil. Bem; acabei ficando por aqui mesmo e realizei 1.200 transcrições visionadas (algo visionado e não visto), e que ainda possuo, guardadas numa pasta reputada milionária. É o meu INSS. Perdi eu, perdeu o Príncipe das Astúrias, perdemos todos. Darcy ficou consternado. Disse que iria ralhar com o Príncipe.
Falésias ao Longe / Bahia / 2000
Enfim, feliz foi Velásquez, se pintasse recebia, senão, também recebia. Era o pintor do Rei, e se o Rei for o Poeta é o Rei do Povo. Ademais era honrado e recebia honrarias. Sensível, elegante, um gentil-homem, representava como embaixador de gênio plenipotenciado a Espanha de Felipe II. Hoje, o Prefeito de Tiradentes mal me cumprimenta. É boa pessoa. Foi nomeado prefeito na Ditadura e desde então ganhou várias eleições. Creio que ninguém mais do que ele foi tantas vezes prefeito. E pensar que ninguém fez falar mais esta adorável grande cidadezinha do que eu. Mas, ai do pintor que não se esconder na sua tela. Goya foi intimado a por o cachorrinho no quadro da família real, mas era um cachorro real, e por sinal adorável e muito bem pintado. Hoje, os prefeitos andam sem cachorro, ao lado de grandes cachorrões e cachorrinhos de madames. É o tempo das madames, verdadeiras Santanas, não confundir com Satanás. Lula, o presidente que blefou, glamuriza nunca ter lido um livro e hoje mesmo esteve comendo um outro churrasco no sítio do Mares Guia, vizinho do meu amigo Manuel Jesus Noriega, poeta e estalajadeiro das Astúrias, estacionado em Santo Antônio do Leite de Minas. Pois bem, sorte a minha. Pinto o que quiser, já li e queimei todos os livros que esqueci. Desamparado, sem meu querido úmero, pinto a Serra de São José, sempre, em quase todas as telas de Tiradentes, mas ai de mim se quiser vendê-la à Prefeitura ou por o meu Tiradentes no lugar do dos Correios. Tenho que ficar em meu estúdio, de boca aberta, esperando a mosca cair. Mas não, não reclame, seja uma folha no vento, já que és o pintor que mais vende quadros em Minas, segundo o site Mineiros, uai, de sua amiga Eliane Reis. E pergunto: Estou rico? Onde está este dinheiro? Estão morrendo de fome os artistas brasileiros? Penso, penso nos outros. Sem dúvida a crise brasileira encheu o país de donos de pousadas, cozinheiros e artistas. Aqui, hoje, ao nascer, joga-se o bebê contra a parede. Se cair é dono de pousada, se grudar é artista ou chef. Até as artes aplicadas, de um dia pra outro, viraram arte. Os estalajadeiros têm onde dormir, os cozinheiros jantam o que sobra do almoço, mas os pintores estão sem prato, pois as leis de incentivos somem no pagamento dos burocratas da cultura, pois artista mesmo não corre atrás, corre na frente. Correr na frente, eis o caminho do artista neste mundo malfadado.
Lagoa com borboleta / Bahia / 2001
Romântico, eu? Convenhamos, nada houve de melhor. Tivemos José de Alencar e Álvares de Azevedo, ambos fui e incorporei. Este disse: "Eu deixo a vida como deixa o tédio do deserto o andante caminheiro” - lindo! Deu Garibaldi e Anita, a linda. Lampião foi um sistemático romântico e Maria Bonita era mesmo muito bonita, uma menina sapeca, do agreste e que gostava de dançar. Era Alencar. Temos Santos Dumont, o pai e a mãe da Aviação. E não menos brilhante foi Tiradentes, nosso maior romântico. Imensa foi Dona Bárbara de Alencar e imensos seus filhos heróis, Tristão Araripe e o Padre Martiniano. Temos Euclides da Cunha, o nosso melhor texto. Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Manuel Bandeira, que poetas! Cada dia sou mais a favor do Governo do Poeta. Aqui, os cientistas, os sábios como Guilherme Lund (o mais sábios dos estrangeiros que vieram ao Brasil) embriagaram-se na boemia do sertão e esqueceram a Europa. O Brasil é o sertão. O luar do sertão, a liberdade que o sertão dá. O mar é lindo, mas o sertão... o dia redondo, o silêncio. Pintar é silenciar. É um ato sertanejo. Temos milhões de românticos, milhões. E viva Minerva, a utopia, pois nada mais real que um bom quadro. Somos todos românticos, mexicanizados por Hollywood. Não tivemos Che Guevara, nosso maior romântico, mas tivemos o Capitão Lamarca, de coração transparente, amoroso e corajoso. Quase toda a minha geração foi romântica. Marcuse, Emanoel Mounier, tudo romântico. Melina era um romance! Mas, dizia-se,  não se pode empunhar o pincel no lugar da metralhadora. Álcool, embriagues para suportar os terrores do mundo, melhor esquecê-los. Pobre cabeça. Ainda não éramos drogados, pois pra que? Tínhamos o mundo pra refazer. Depois, exceto eu, e depois também eu, tudo caiu. Meu mundo caiu -, cantava uma minha paixão passageira, Maysa Matarazzo, de voz interna, rouca e grandes seios redondos. Mas, mesmo assim, tivemos Betinho. Céus, pra que tanto pensamento? Tantas palavras? Calar e jardinar.
Romantismo, açúcar de vinho, poesias da Pérsia. Prefiro o utópico. É o que me interessa na arte. Utopia, drogas. Ela é a própria utopia, e é tudo realidade, na ponta do nariz. É difícil de ver, muito, mas fácil de pegar. ...Um dia ainda vamos ter um Che Guevara pintor.
Aqui no Brasil se diz, ou se deveria dizer que quando uma coisa não tem solução o jeito é dançar um tango argentino. Eu (heim, Rosa) é que não vou dançar.
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