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Minha Vida de Pintor / XXVII

Viva a mão, viva os pés, mas que maravilha o cérebro. Ele, as mãos e os pés. Inacreditáveis. Prodigiosos. Mas também falhavam, nasciam falho, às vezes mortos. Muitos pensam, tolamente, como eu, que a mão comanda o cérebro, especialmente na pintura, arte pessoal e intransferível, e de domínio artístico -, embora o bom artista possa estudar sem prejuízo dos ensinamentos dos ateliês ou dos mestres. Ou seja, em arte a mão manda mais, e eu, um pintor sem úmero, sou uma prova viva, já que ninguém pinta parado, pois tem-se que "correr” com a vida, montar-lhe a cavaleiro ou simplesmente deixar-se como a folha no vento, ou a cortiça na corrente do rio, como gostava de dizer Renoir. Eros tinha muita "culpa no cartório”, como se diz lá no Rio. Ali eu soltava pipas como Renoir pintava porcelanas ou Rafael diligentemente aprendia com Perugino. Perugino, que grande mestre, o ter conseguido ensinar e ao mesmo tempo não impedir que Rafael fosse raro e singular. Vejo as mãos de Rafael, seu rosto de menina, suas pernas compridas de tanto andar. Histórias para contar. Mas, que belo o cérebro, a comandar a mãos e as pernas. O cérebro dizia: Tiradentes pode ser Paris, Caraíva Veneza. Olhe as montanhas, ponha-as no fundo de seus quadros, preferivelmente no céu. Pense, amigo, pense em inventar o mundo, sejam deuses de si mesmo e não deixem de adorar Minerva.
Pipas da Liberdade / Igreja de São Francisco / São João del Rei / 1993
Ararajubas / Jardim Botânico do Rio de Janeiro / ECO-92
Um pinturinha de paisagem, uma marinha extraordinária, minhas mãos me ensinariam. Como liberar as almas empedradas, colorir  as cores, inventar os céus de Rafael, os mortos-vivos de Pompéia, os veadinhos fugindo do fogaréu da grande explosão, em Cocais, Minas Gerais -, sim, eu tinha que pintar aquilo. Um escriba alucinado, um auto-retrato excêntrico, de um egípcio ajoelhado, e achava (e ainda acho) que havia um "paralelismo” ali. As pedras suscitavam e pareciam conduzir minhas mãos. O mesmo se dava com os santos e os heróis. Quando pintei por duas vezes o Tiradentes duas vezes  fui influenciado por isto. Quando realizei minhas transcrições visionadas também. Minha Natividade-Anunciação, de 6 metros por 6 metros, idem. Tiradentes me surgiu com um rosto que eu sozinho jamais imaginaria, e olha que sou bom nisto. As rochas, pude constatar, eram as mais poderosas. Aqui já parecíamos estar em um outro mundo, avita,  tal o paralelismo. Me guiavam e iam se fixando na tela, como se estivessem sempre ali, vindo dos tempos imemoriais de azul geleira. Ignoto cérebro, eu pensava, tínhamos que explorar aquilo, inclusive com as próprias mãos. Era o pintor contra as máquinas, irremediavelmente preso por elas, nada mais, escrevendo neste papel cibernético, tolices para pintar. Bem, eu tinha que pô-las para trabalhar para que pudesse pintar. Purificar as telas como a vida, como Fra Angélico. Era Deus quem pintava, e pronto. E estávamos cercados de Deus, Alá, Geová, Buda e Judá pra lá e pra cá e por todos os lugares que… melhor era pintar. Pintar a minha cara e  revelar a arte antes da vida, quando o barro simples e muito aquecido teve a percepção do outro. A arte fazia o homo sapiens, como fizera antes o neerdental e o crogmagnon. Richard Dawkins diria um "namoro de átomos, já artisticamente formados”. Eu, preferia pintar este turbilhão inicial, simplesmente como Fra Angélico, em curvas, voltas e idas, aspirais e abismos… e fico a ver Fra Angelico em seu claustro de arcos olhando os pássaros e as borboletas do Senhor, e os pondo gentilmente na tela. Santa Teresinha, ainda com cheiro de rosas, tinha lhe aparecido de manhã. A humildade pinta. E ele pintava humilde. As manhãs amanheciam já diáfanas e o éter já estava todo tomado, bastava uma sandália, e não havia mulheres. Maria havia sumido por quase dois mil anos. Tiveram que fazer máquinas. Enfim, pensar me fazia pintar.
Pipas da Liberdade / Ouro Preto e Rio de Janeiro / 1992
E assim um quadro inteligente… mas nunca olhei um quadro para conferir. O que sabia lá o pensamento de pintar? Bem, uma coisa é certo -, havia um momento em que tínhamos que bater à porta e entrar. Era o momento de ouro. Uns olhavam pros céus e começavam a trabalhar. Renoir usava um cigarro. Acendia o cigarro e aos poucos e cada vez mais ia começando a pintar. Fico imaginando se a American Tobbaco, ao invés, tivesse industrializado a maconha. Talvez os pulmões estivessem tão fracos quanto, mas a beleza e a grandeza estariam bem mais por aí. Outra coisa é ainda mais certo -, eu estava na caverna, tinha os ossos agarrados pra dentro, acendi um cigarro, e fui pintar. Havia uma grande pedra chata, uma lápide de cara boa e  pronta,  e catei umas tintas do chão e uns frutos ao redor e fiz uma boa escada de tronquinhos amarrados e lá pintei o veadinho que vi fugindo quando caiu o Bendengó, na Serra do Ererê, na Bahia. O Bendengó… papai me levava lá, no Museu da Quinta da Boa Vista, na verdade o antigo Palácio Real e eu, assombrado com as múmias, me alumbrava com o Bendegó. Era o maior meteorito já achado no Brasil, um dos maiores do mundo, senão o maior. Fora um impacto enorme. A vida ainda não existia, pois ainda não havia a arte. Um amigo de papai tinha serrado um pedacinho da enorme singularidade (que não se sabia o que era) e papai a guardava no cofre. Eu amava aquele pedacinho do outro mundo como uma chave de ouro que me abria aquele momento com papai, e lamento muito que o tenha perdido, pois era a herança que mais cobiçava. Foi como se tivesse perdido papai, mas o Ererê, enfim,  estava ali. Olhos, antes de tudo, pois ainda não havia a mão naquela época -, e aos poucos se percebeu o outro e aquele espanto os aproximou e os afastou, tal era a natureza do mundo. Pois bem, a percepção do outro foi quem inventou a pintura; mas fico sempre na dúvida se não teria sido a pintura a inventar a arte, e esta a vida, e a vida as cores, neste bom combate às tintas que infestavam o mundo como reflexos de nós mesmos numa água suja e encalhada de Veneza. Caraíva era bem mais limpo. Era um riozinho que chegando ao mar se acalmava e assim refletia as casas na água. Eu adorava pintar aquilo. Não havia Veneza, não havia Caraíva e nem haviam reflexos, o que mais me atraía. Refletir, pintar reflexos com as mãos. Mãos harmoniosas, e que haviam vencido o modernismo destruidor, como aquelas casinhas de Caraíva, refletidas na água.
Pipas da Liberdade / Ouro Preto / 1992
                                                           
Natividade / Igrejinha de Brasília / 1991
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