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Minha Vida de Pintor/ XXXVII

Confesso, sem fé alguma, que até recentemente acreditava no mistério que advinha do paralelismo (hiperbolismo!?) experimentado pelo artista quando escrevia ou pintava, e a rigor em todas as artes e muitos momentos da vida ordinária. Havia um mistério a ser elucidado. Na verdade muitos, ainda que não passassem de mistérios. Eram problemas. Mistério mesmo só a Pintura. Todas as artes eram pinturas, sons, formas, não-formas, etc. mas todas representações do porvir. O Porvir. Sua plena consciência. Jesus tinha, Tiradentes tinha. Não havia arte neles (a guerra quando muito é uma arte aplicada, aliás, mal aplicada). Contudo, Darwin, Hegel, Marx todos achavam que a História, qualquer que fosse, não saltava. Os comunistas juravam que não saltava. Freud achava que saltava. Flaubert também. A arte saltava, enfim. Saltava e parava, finita e imutável, quando boa. A se crer que não saltava, seria como contar uma história tim-tim por tim-tim. Tarefa impossível, pois a redundância era o pior dos pleonasmos cerebrais, em forma de couve-flor. Aquilo, naturalmente, sempre me incomodou. Chegava a ser insuportável. Um cérebro de couve-flor.  Se nada saltava e tinha que seguir conforme enlaçados pre-determinados... era Henry Ford. Uma linha de produção, nada apressada, em verdade tão lenta que resultava esquecida dos próprios erros e acertos. Se somente acertasse, vá lá que se repetisse. Mas, errar duas vezes, três, milhões de bilhões de vezes? Much a do about nothing. Já o salto da quantidade para a qualidade, o salto hierárquico, no entanto, era admitido por todos, pois a água fervia, gelava e evaporava. Todos grandes saltos.  Mas, era tudo muito raro, em essência, em se tratando de saltos pessoais e da humanidade. Inexplicavelmente, havia e parecia ter ânimo definitivo uma natureza avita, embora para a arte não passasse de um desejo que a própria arte tornara realidade. Por que motivo as artes feitas na pedra, a pintura dos santos e as transcrições visionadas, principalmente, transtornavam os pincéis a ponto de parecer guiá-los como vassouras de bruxas, tal a graça e a facilidade com que surgiam da arte do nada pleno das imagens. Bah! Diante de tal grito eu me calava. A arte, para um artista apressado (como eu) ou um cientista ou uma tartaruga ou preguiça, bem podia ser o Quanta. Quanta verdade.  Contudo, a arte era mais que o quanta. Bem mais. Ela estava em todos os lugares. Eram quantidades, qualidades -, inventávamos  tudo, esquecidos de suas impossibilidades. Quantas telas não confirmariam isto? Quantas? Nem imagino. Sei que a arte removia montanhas e que o melhor concerto da natureza, sua mais bela adição, havia de ser uma obra da arte, como fora no Pleistocênio. Diria, bem antes dele. Começava e terminava começando com uma obra de arte de nenhum tamanho. Inegável mistério, a arte motivava a arte, já por si algo bem feito e mal feito. Mau feito, em princípio. Pois como poderia eu fazer arte naquela rocha rara, suporte do Bendegó, cortar a obsidiana como se fosse um pincel a desenhar montanhas de Minas. Não, meu pincel era outro. Trazia comigo, bastava olhar para baixo para vê-lo alçar-se às estrelas, de modo que não seria a ciência nem a filosofia que o desvendaria, e sim a própria arte. Arte, auto-ereção.Era só pegar o pincel alçado e pintar. Platão e Plotino eram artísticos. Sócrates, então, nem se fala. Era ator, dir-se-ia um histriônico da fala. Imagine negar Deus naqueles tempos em que os deuses reinavam sobre a terra, como hoje os reis-banqueiros e a Time-Warner. Mas, pra sorte nossa, nem todo mistério era misterioso. De modo que Vergonha para os Estados Unidos e  Longa vida para Vercingetorix. Onde Che? Mas, tudo podia, devia ser evitado. Pensem na Big Sharing, os Estados Unidos distribuindo sua alibabáquica riqueza pros pobres que todos somos, nós, os pobres do mundo. Já pensou, poder lavar o meu dinheiro sem ter que purificá-lo simplesmente porque as leis reinós me permitem não declarar as rendas, propriedades, jóias? era o maior cartório do mundo. Po isso Tristão o cobiçou e roubou com tanto perdão. Porisso, herdei de Fídias e Tristão.
Poucos mistérios, portanto. A borboleta-azulão do Rio Trapicheiro (um riozinho de pedra escura que desce do Corcovado, na Tijuca, no Rio), por exemplo, era a maior riqueza, desde que eu a pudesse pegar com as mãos e passar o seu pozinho venenoso e iridescente na minha íris. A íris, todos sabiam, ainda que poucos atinassem, era a parte colorida dos olhos. Bah! Outro problema!? Quem sabia? Via e sabia que podia ver e fazer ver o que quisesse, mas, nada sabíamos porque tudo eram aparências. Aparências, aparentemente banal. Fenomenais. Podia-se ter todas as cores ali -, passadas, presentes e futuras, e todas jamais percebidas no passado. De onde, então, vinham estas cores que venciam as tintas sujas e enganosas? Certamente das tintas não era, simples intenções de cores, inertes e à espera da arte. Esperar sem paciência. A arte não esperava, ela tinha paciência. Vinha, fazia, ia e ficava sempre um pouco mais na nossa companhia. Creio, ainda sem fé alguma, que as cores não só provinham da arte como era esta a mãe da ciência e da filosofia, entendida a política como diplomacia, que devia ser pessoal, familiar, abélica, e bela. Disfarçada mãe, pródigo filho. Paralelas, talvez,  que se avizinhavam, irresistíveis, como um mojito em Trinidad de Cuba, ou seja, a arte nada mais é que uma bela lembrança. Santiago de Cuba, Terra das Sereias, onde eu, pintor nas vestes de corsário, era "El Brasilero", o mais feroz e o que mais jóias tinha. Prazer de reis, que um dia as pessoas ainda vão ter e sentir...o não ter nada, o belo tudo. O ter tudo. Em arte como na vida era preciso ter tudo.
A Bigorna e o Martelo e o Farol de Piedras Blancas / San Simeon / California / USA / 2000
Numa feita, transcrevendo uma pintura arcaica numa grande lápide ao ar livre, do alto de uma escada, no Alto dos Brejos das Itatiaias mineiras, fiz imagens fidedignas de vários animais ancestrais, ali transcritos nos meus desenhos-pinturas, espavoridos, mas ainda elegantes, fugidos do grande cataclismo do Bendegó -, quando tudo se incendiou de repente, desde a Bahia. Bichos reconhecíveis, inimagináveis, seqüenciais e mutantes, prova concreta dos necessários saltos da humanidade -, iam se impondo ao seu (deles lá) bel prazer, viventes e saltando (sem serem sistemáticos), ao rápido jorro que se auto-emanavam com muita arte e prazer, uns saindo dos outros, em espiral de braços abertos e abrangentes, pois cada um deixara de ser único (ainda que por uns instantes). A solidão o frio os unira. O calor os amalgamara. Talvez. Certamente. Muito certamente talvez. Sei que era erotismo sutil, o mais gentil,  de claras intenções, muito mais que bolinações. Aqui, no Sabuji do Piauí (homem fêmea sim senhor), e no Piauí da Paraíba (mulher macho sim senhor) eu fora um fauno de pica muito firme e de pé. Corria discreta fama, inclusive,  que me chegava ao umbigo. Coisa fina. Grossa. Lindas penetrações que podiam ser apenas encontros furtivos, ou induzidos em laboratórios, ou estúdios de arte aplicada (A ciência é uma arte aplicada!?) -, um eros sem gente, pura geração de prazeres, o sexo certo no sexo errado. Boca. Seios. Cara, coxa, bunda. Futebol, uma bola e dez palavras. Chope, o meu país de barriga inchada. Guerra. Dominação. Em resumo; não era pra polícia, era mais pra genética psicanalítica. Vastas filigranas. Ouro na Ponte Vechia. Olhos que apenas belas aspirais a procura de outro, o olho cego vagando procurando por um (na bela frase de Zé Ramalho, compositor brasileiro), um abraço num semi-círculo meio elipse, sempre em movimento. Eu diria: H=POX². Sendo H o homem, P o poder, O o Oscar e X-2 o famoso detetive dos gibis americanos. Eis a fórmula da essência. Quanto mais arcaico mais pessoalidade e arte, pois a arte saltava de dentro pra fora, favorecida por sua natureza redonda que facilitava o encaixe. Redonda como uma linha. Um poderoso organismo vivo que ainda que inexistente entrava sem cerimônia na pintura dita excêntrica. Goya, grande pintor dos paralelos, sabiamente se deixou levar. Rembrandt também. Tirou aquelas caras todas da própria barriga. Aquilo me intrigava. Um dia ainda pintaria os meus dragões, se é que já não os havia pintado. Barriga!? De que vale uma barriga diante de uma pincelada? Só recentemente, como disse, tinha deixado em verdade as cartas. Deus podia ser uma implicância com papai ou com os militares da Ditadura e os polícias que não me deixavam tomar a cidade. Custei a deixá-lo. Na verdade só o deixei quando me brindei no momento em que o neguei. Mas ficou a Justiça Divina. Por um bom tempo. Podia lhe ver as sentenças positivas e justas, ainda que lutasse contra suas barbaridades (no sentido gaúcho do termo). Enfim. Meu sofrimento era tanto que temia negar a Deus mais uma vez e num desespero qualquer novamente me negar e novamente pedir e não receber ou receber e não acreditar que me houvera sido dado por Ele, o "dador". Na verdade eu devia usar aquilo, como uma droga virótica, da qual pudesse retirar o antídoto da Ciência e da Filosofia e purificar a Política. Uma substancial diferença a contar na minha inacreditável e rápida ascensão no mundo das artes. Ora, eu era o mundo da arte. E não só eu. Não chegávamos a ser um limão, depois, que mal havia nisto? Era tudo muito deísta. Até eu, ignóbil e excelso ateu, às vezes capotava. Declinava. E sofria muito com isto. Afinal, o melhor de mim me era negado, já que até meu talento era creditado pelos insuportáveis fiéis a Deus, e não a mim, o verdadeiro Deus, e que não existia. Deus, eu? E tinha eu lá criado Deus? Não. Não eu. Não chegaria a tanto. Talvez  fosse um bezerro de ouro. mas seria ainda um bezerro. Era para ser adorado. Era obra de arte. Meu amado Fídias, o maior artista da ladra humanidade, concebera e desenhara e esculpira e forjara sua imensa Minerva tão somente para impressionar e roubar. Purificou marfins imundíssimos, marfins de Idi Amim, ouros roubados das vidas dos negros, diamantes de ditadores, cofres e mais cofres de fort Knox. Ora, era ele e era eu e era Promeu, o escritor que amazoneu, o mais belo personagem que você já leu. Mas, só até que falisse a Justiça Divina. Homens como homens, faliam com a justiça divina. Que falissem!
E assim um dia subitamente me tornei pintor de 40 mil anos, e num outro fiquei ainda mais rico que a Milú, ou seja, um dia amanheci sem fé alguma, senão na arte, e mesmo assim com as ressalvas da arte rara. Mas, o que importa se as paralelas insistem em se conhecerem de perto, em trocarem beijos e promessas comigo, calores, que em última instância são cores?
Varanda em San Simeon / California / USA /2000
Noutra feita, devo confessar ainda sem fé alguma, pintava eu uma grande Natividade de 5 metros por 3 de altura quando me vi unindo o nascimento de Cristo à Anunciação, sem jamais tê-los concebido juntos. Todo quadro é assim. Mas, aqui como lá, a evidência era clara. Numa tela deste tamanho, sendo pintada no chão, muda-se radicalmente a percepção, já que o que está no chão deve ser pintado para ser visto em pé, quando exposto. Tal necessidade punha a Via Láctea  na unha do meu dedão do pé, e os inúmeros personagens da cena, os "paralelos" e os humanizados animais, Maria, Jesus, José e o Anjo Gabriel entraram todos de graça, bons "paralelos" que eram. Talvez por vingança pelo horror que nutro pela óbvia imagem do dedo do Criador criando o Homem (ainda que também significasse que o Homem, Adão, no caso, tinha criado Deus), e movido por esta movida discernida, antes acreditada sobrenatural, Michelangelo me fez repetir o mesmo óbvio gesto, só que Maria cria Gabriel, que anuncia a Maria (que tem o rosto azul e ri melhor que a Mona Lisa) o Messias, que já está no berço da manjedoura, sorrindo (um sorriso que vale um tratado). No alto, a Estrela de Belém, seus fúlgidos raios de ouro e prata, incita os cruzados à guerra e a morte de Saladin e Bin Laden. Sem domínio algum, fé nenhuma, pus o Diabo na cena e devo relatar que no fulgor da execução da pintura uma tinta sem cor alguma, vermelha e rubra, desceu pela tela levantada por uma lufada súbita de vento, jorrando um jato de sangue para os céus, direto da boca do demo e para o alto, como espadas, finas e de vários tamanhos. Gabriel, a seu modo, fez-se extraterrestre de rosto sábio e corpo quase etéreo. Um Gabriel São José.
Certo disto, homem já experimentado, um dia pintei O Docodema, o Governo do Poeta. Não imaginam os senhores e as senhoras a histrionice sadias e tonificantes do governo deste poeta. Era um pavão e cantor, usava saias variadas de grandes novidades e segurava o microfone como Joan Baez. Imagino que fosse imortal. Sem dúvida, era um pavão muito bom, governava sem governo e sem nenhuma crise. Tudo crescia aos saltos. Seu palácio possuía um jardim interno encantador, com uma aguazinha pouca e cristalina. Ele escrevia, cantava, poetava - aedo, poeta, narrador, cantor e ator, era ainda pintor. Era amado pelo povo que o amava, o que não o impedia, antes excitava, a deixar descendência. Poeta, jardineiro, ele passava pelas mulheres, tinha milhares de filhos espalhados pelo mundo e não era pai nem padre  nem possuía nada, sendo escolhido pelas mulheres, que detinham a memória genética. Elas sabiam o que fazer com a genética. No Docodema, os dez caminhos da Paz, elas eram tartarugas mas, nem sempre. As tartarugas eram seres bem paralelos (e que adoram se imiscuir nas areias das minhas marinhas do Sul da Bahia). No Areião, transcrito mais ou menos de Barão de Cocais, em Minas, os animais fogem do fogaréu do Bendegó, na Bahia. E no Uaupés, outros bichos aparecem, muito mais antigos, bichos do tempo em que todos os bichos eram um só. Estamos na Amazônia, alto Rio Negro. Mais exatamente no Uaupés, onde o Negro faz uma curva, antes das Anavilhanas, e onde Alfred Wallace disse ter ouvido a narração de uma arte gravada na pedra, numa laje enorme e inacessível, que se levantava por uns bons trinta metros, íngreme e lisa, do mesmo negro café do rio. Mundo belo, extraordinariamente belo e infernal. Pois bem, eu os transcrevi num único dia, cem imagens que formavam uma só. Depois, ainda transtornado, visitei, sem nunca ter ido lá, o extraordinário Abrigo do Sol, um lugar onde os rapazes arcaicos faziam amor com a pedra, antes de praticá-lo com as garotas -, uma pedra plana mais ou menos do tamanho humano, com um buraco condizente onde enfiavam o pau e gozavam até sangrar. Depois iam tocar flauta, escondido das mulheres. Ora, Wallace era um sábio apaixonado, irritava-se com facilidade (eram muitos os mosquitos), mas uma coisa havia percebido antes de Darwin, e inacreditavelmente muito antes de alguns neodarwinianos, que insistem em não valorar o conhecimento da arte como formadora da vida. E tanto isto é verdade que Wallace transcreveu visionadamente o Uaupés, que eu, anos depois, vim a retranscrever, também visionadamente. Tudo salta na arte. Certamente. Com certeza.
O Farol de Piedras Blancas / Central California / USA / 2000
Mas havia os artelhos, uma espécie de arte desgraçada, oriunda de organismos mal-alucinados, portadores de indiscernimentos atrozes e mortais, e que tudo arrastavam para a cova. Era a arte morta que matava. Uma arte sem flor, com gentes e objetos que não deviam, revelando uma falta de integridade psíquica, um risco assustador para os povos do mundo. O artelho era um artista comportado. A natureza estava cheia de artelhos. Irritava-me aquela pouca arte, aquela arte sem salto, que replicava e triplicava nos artistas replicantes, sem novidades, sem saltos. Tarefa imensa a remoção, sem dúvida. Enfim, o artelho era um artista equivocado. Não é bom que o artista morra, mas devia morrer o artelho equivocado. Devia viver, digo eu, pois era um suicida vocacional que arrastava a plebe ignara, também suicida, com ele. Vivia na Avenida Paulista. Ia morrer na Avenida Paulista. Fizera um enorme edifício lá, com os incentivos do dinheiro do povo. Expulsaram os poetas do poder. Empregaram burocratas e dominaram a arte dos tolos. ...Pois que o dominem. Todo domínio breve cessa, quando se começa a pintar.
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