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Minha Vida de Pintor / LXI

Amigos, vou ter que declinar do convite pra este almoço dominical em sua casa em São João Del Rei. Lembrei-me que o João Bosco ficou de passar por aqui e ele anda muito ocupado, como sabemos, de modo que eu... homo artisticus e desocupado, estarei prazerosamente a esperá-lo.
Subida da Matriz de Tiradentes com peixes /1998
Tiradentes está fervilhando de gente. Convido-os para a gastronomia que tomou conta da adorável grande cidadezinha, e para virem ao meu estúdio de tão bela vista, cheio de quadros palatáveis, sonoros, táteis, volumétricos, imateriais -, ainda que agora não seja o melhor momento para apreciar as grandes diferenças entre a arte e a gastronomia. Anda-se conforme se coma. A pintura não deve ser magra nem gorda, embora eu prefira as mais gordinhas. Verdade é que a reforma daqui de casa virou tudo de cabeça pro ar. Escrever é bem mais simples que pintar. Basta um lápis ou uma tecla de computador, um canivete para "afinar o estilo”,  ou um mouse para o desenho e pronto. Pintar já não. Exige uma paisagem a ser feita, uma vida a ser introduzida. Posso morrer escrevendo, mas jamais pintando. Mesmo que você não as misture, são necessárias todas as tintas pra se fazer uma só, por exemplo, este azul do Sol a brilhar na gramímia que acabou de nascer no chão de pedra, depois da chuvazinha de ontem, na Serra de São José. Mesmo uma simples maçã, cor de maçã, precisa-se de todas as cores para se ter a sua cor, e também todos os outros desenhos. Uma cor, poucos desenhos. Todas as cores firmes, todos os desenhos poderosos são assim. Paradoxalmente, é o preto que faz a cor da maçã. Escritura é escultura, pintura é cor e desenho. O bom desenho é pintura. Não se pinta com palavras. Deve-se desenhar com as cores -, primeiro as cores, depois as sublinho com a linha, a minha elegância, e só então pinto, por exemplo... os seios queridos e inalcançáveis do gosto perdido que só uma montanha de Minas pode suscitar. De Minas e do Rio. Todas as montanhas do mundo. De todos os mundos -, e sem muito bem o saber pinto a maçã (sem ser uma bunda). Mas, hoje em dia, por aqui, em plena ditadura imperial americana, já ninguém pensa em comer ou pintar maçãs. As iguarias multiplicam-se em maçãs, e vice-versa, e como era de se esperar todos só pensam em comer. Comer porque o mundo vai acabar. O que mais pode fazer um velho? Ontem mesmo entrou aqui na galeria uma senhora, digamos insensata, que de pronto me perguntou se eu tinha alguma Santa Ceia já pronta. Devia ser do Priorado do Sião. Disse-lhe que o máximo a que chegara fora a uma Anunciação-Natividade, mas que tinha seis metros de altura por seis de largura e que tinha exposto na Igrejinha de Brasília, em 1992. Ademais, meus santos eram meios extraterrestres - disse-lhe, já que Maria e Isabel eram também Maria Madalena, as três num só corpo. José - eu continuei, fingindo não notar que estava apavorada... era o Espírito Santo- frisei-lhe, uno e duplo em sua fantasmagoria espacial. Tentei explicar-lhe (ela já estava na porta de saída da galeria, mas ainda "encurralada"sobre um de meus grandes jarros de flor) - que o "paralelismo” (disse virando bem os olhos para o alto e para trás) a que entrara ao realizar aquela obra garantia sua autenticidade e valor, e todos os seus "golpes de sorte”, como por exemplo, o toque dos dedos do Espírito Santo, o Arcanjo Gabriel, em José, lembrando o gesto de Deus com Adão, na americaníssima obra de Michelangelo da Capela Sixtina. Disse-lhe também que uma outra grande sorte da tela foi o ter inconscientemente posto o Diabo entre os bichos que vieram ver o nascimento do menino-Deus que, evidentemente, sorria. Lembro-me - disse-lhe sem parar - que ao pintar o grupo de animais visitantes à manjedoura, lá pelas tantas, bateu uma lufada forte de vento que espalhou a tinta vermelha de um modesto porco, recém pintado, para cima, como lanças, chifres, coisas e cores mesmo ligadas ao antigo culto do diabo, no tempo em que ele não era diabo, e sim Dionísius. Bem, esta não era a Ceia que ela queria. Raramente o artista deve estar onde o povo está. Não deve e pode estar, no máximo, a seu lado. Ao lado do povo. Nem na frente nem atrás. Ao lado de todo o povo armadilhado. Agora, se não puder, deve estar na frente. Mas sem dever.
Gata Rosa / 1997
Aguardo vocês, caros amigos. A cidade está vivíssima. Só tem artista. Comensais, vive-se um festim pelos bares, restaurante e até no Largo das Forras pode-se comer fundidos e massas expressas como os olhos do meu primeiro amor. Diz-se que um médico da região ameaçou assar e fazer pururuca com um porco capado em plena praça desenhada por Burle Marx! Ou seja, por preços astronômicos comem-se no festival gastronômico coisas digamos mirabolantes -, e que, ao se acreditar na multitude dos cardápios, inexistem, tal a literatura que impregna esta arte aplicada (a arte cria a vida -, a vida, ingrata, a arte aplicada). Só pra citar, de memória, bem rápido: ... vi vinhos safrados da Borgonha, queijos do sul de Minas e da Provence de Goiás, cervejas nutritivas da Alemanha, cafés das Arábias do Brasil, chocolates da Bahia de Minas Gerais, tudo, tudo muito refinado, fermentado, como manjares de Versailles ou Brasília. Mas, condenado como estamos, e o nosso Brasil, a não comprar, aqui está, como nunca, muito mais fácil comprar que vender. Todo mundo quer vender, e tem tudo de bom pra comprar, mas os banqueiros não compram. Sumiram. Dizem que estão enfurnados, vão descobrindo lugares esquecidos, que logo esquecem e, por fim, já tem tudo, nem precisam comprar. Museus, pinacotecas, bancos, institutos, nunca apareceram por aqui. Pelo que sei não aparecem em lugar nenhum. Modus in rebus. Aqui, tantas vezes, parece um lugar nenhum. Ninguém que não existe aparece em lugar nenhum. E ficamos como estamos.
Lagoa com patinho /1997
Mas que beleza! - assisti ontem no átrio da Igreja do Rosário, daqui mesmo, a um ator estupendo, de nome Robson, recitando um texto esplêndido sobre um episódio central das aventuras de Don Quixote de La Mancha, em que o andante Rocinante, ao ver nos livros pessoas e nas pessoas livros, acaba por imaginar guerras inexistentes que estavam ali diante de seus olhos, na dor e na indignação -, e porque acreditasse nos olhos e na justiça, atacou os pastores intrepidamente, e suas ainda mais plácidas ovelhas, e que estes sim, indignados com tanta folia, deram-lhe uma boa pedrada no olho. O espetáculo foi uma gentileza dos organizadores da exposição de desenhos de Don Quixote, do pintor Mário Mendonça, uma obra obsessivamente bela e que ele nos brindou para o acervo da Pinacoteca da Fundação Oscar Araripe. Pintor sacro, entre outros temas, Mário expôs seu Quixote na antiga cadeia, um prédio maravilhosamente rosa, na Praça do Rosário de Tiradentes. O problema em se pintar Don Quixote é que se cai nos arquétipos, tudo vira Jesus Cristo, ou seu pai, Deus, ou ainda Zeus, se somos clássicos. Tudo vira Tiradentes. Mário saiu-se bem, muito bem, são desenhos lindos que ilustram com arte o encantador personagem de Cervantes. Destaco, de lembrança, Loucuras de Amor por Dulcinéia, uma imagem do Quixote seminu, de cabeça pra baixo, com o pênis ereto, mas de cabeça pra baixo, e que por si só já valeria toda a exposição dos 34 esmerados desenhos. Olhando-os na parede, ao lado de umas artes rabiscadas de antigos prisioneiros, vejo que a Cadeia tem a vocação natural, histórica e tombada para abrigar um coleção iconográfica sobre Tiradentes, o herói e a cidade.  Uma vez, falando com a Vivi Nabuco, carioca de Tiradentes, como eu, sobre a transformação do Museu de Arte Sacra (que não é museu nem tem arte sacra, e ainda por cima se chama Tancredo Neves) em uma Pinacoteca, ela disse ser mesmo uma boa idéia. Recentemente, no lançamento do livro da Lélia Coelho Frota, conversando com o Prefeito Nízio Barbosa e sua simpática esposa, soube que estavam pretendendo ali abrigar a riquíssima coleção de Santanas da nossa vizinha, a Sra. Angela Gutiérrez, o transformando num museu de Santanas. Ora, não acredito que eles irão botar as santas, belas, barrocas, ricas e inocentes Santanas, Santanas de outrora templos, na Cadeia, logo na cadeia. De modo que assim creio e luto, e tomara que sem luta e luto, pela Pinacoteca da Cadeia. Seria também um lugar purificado, já que com as iconografias sobre a cidade e o herói Tiradentes, as almas dos que ali tanto padeceram iriam admirar para sempre as belas obras dos nossos artistas já mortos e imortais. Muitos artistas de muito valor pintaram ambos os Tiradentes. Atrás, podíamos convencer ao IPHAN a nos deixar edificar um ANEXO, para exposição dos artistas vivos. Pois bem. Como os cruzados são surdos e poderosos, vamos nós mesmos, nossa Fundação fazer a Pinacoteca.
Mário, artista distraído, ao dedicar-me seu livro com os desenhos de seu Don Quixote, muito bem organizado por sua irmã Stella Maris Mendonça, num excelente projeto gráfico de Cleber Soares e cuidada edição J. Sholna, ... trocou meu nome pelo do meu afastado tio-avô, Arthur Araripe, que é nome de rua na Gávea, no Rio (ele era dono das terras da Gávea Pequena), onde aliás uma vez morei. Recebia cartas assim: Sr. Arthur Araripe, Rua Oscar Araripe... Felizmente nomes são como vernissages. Falta sempre alguma coisa. Tem algo de mais. Eu mesmo estou a pedir ao Poder Judiciário que me inclua o nome Alencar, que perdi na segunda diáspora da minha família, quando saímos do Ceará para o Rio. A primeira foi quando saiamos do Crato para Mencejana. Mas, mesmo assim, vai ficar faltando. Meu avô era Oscar de Alencar Araripe. Mamãe, Oscarina de Alencar Araripe. Era pra me chamar Oscar de Alencar Araripe Neto. Mas, a família brigou e eu fiquei sem o "neto”. E é isto que estou pedindo. Mas, mesmo assim, vai ficar incompleto. Ademais, não gosto deste "neto”. Posso ser o que não fui, mas só se eu quiser. Tenho pensado em Oscar de Alencar Araripe de Tiradentes. Poderia eu, por morar aqui há anos, agregar o nome da cidade, já que uma parte considerável da minha obra está relacionada a Tiradentes, a cidade e ao herói? Quem sabe o juiz autoriza ...talvez, pensando bem, retire o Alencar e assine só Oscar Araripe de Tiradentes. Não sei. Os Alencares, meus primos, não vão gostar. Eles acham que todos os Araripes são Alencares, no que tem razão, já que Araripe foi um sobrenome começado por Tristão Gonçalves de Alencar, quando horrorizado e indignado com o Imperador, largou o nome português Gonçalves, que era do pai e em seu lugar assinou Araripe, que quer dizer ”aquele que olha de cima e vê longe”, como alguém que estivesse em cima da Chapada do Araripe, da qual tomou o nome, a olhar o vale do Crato e do Juazeiro do Norte. Tristão era Santos Dumont, era Don Quixote. Era Tristão. Bem, uma parte considerável da minha obra está assinada simplesmente OA. Só passei a assinar O. Araripe quando comecei a vender muitos quadros para o exterior, pois OA, naqueles contextos forâneos, me pareceu muito esotérico. ...Vou pedir ao Don Quixote do Mário para repetir a dedicatória e dedicar seu livro também à nossa Fundação, onde teremos uma boa biblioteca de arte. Mário foi muito gentil, mando-me um livro novo, era um Don Quixote ainda mais gentil que o cavaleiro platônico da Dulcinéia, pois enviou-me, como disse, um novo livro, com um lindo auto-retrato alla Quixote e uma dedicatória muito generosa para nossa nascente Fundação.
Vernissages são boas quando nos fazem lembrar o regaço dos nossos estúdios. Aqui sim,  vale a pena viver, mesmo que dando as últimas pinceladas. Seria preciso um pintor muito cretino para na hora da vernissage achar de dar suas "últimas pinceladas”. Conversas, conversas que vem e vão... mas aqui no meu lugar ensolarado e de quinhentos vidrinhos, muitos coloridos, eu estou só no meu mundo repleto de pessoas, objetos, lembranças, alquimias, cheiros, silêncios, Eric Satie -, faço uma pausa, e olho em frente o alto de São Francisco, sua paineira notável, seu cruzeiro... encimado por um galo, decorado com objetos da crucificação, o cravo, o martelo, os dados, a lança, e um imenso M, bem de cara pra mim, e que pressuponho trata-se da representação do sudário, ou seja, da Morte. Mas pode ser Maria Madalena. À minha esquerda, magnífica, a Serra de São José, de pedra preta toda de ouro.Tudo luto, azul e preto. ...Neste fim de Inverno os paus d’óleo começam a ruçar. As folhas voltam. Virão as águas. E com elas irão os micuins, e o sujo pó em que vivemos.
Às vezes penso que pintar é como cultivar um jardim. Um exercício. Não se deve deixar a mente parar. Escreva sempre. Todo homem devia escrever pelo menos duas horas por dia. Descer e subir escadinhas faz bem pro coração. Pintar como se fosse o corpo a trabalhar. Bem, agora vamos pintar. Passear no jardim. Sentar-me ali. Pela manhã, à tarde, pintar passeando no jardim. Esta é a minha vingança: parar e sentar na minha fonte de carpas e sentir o dia passar. Pegar uma muda. Levar umas flores para as jarras das galerias. Flores para los quadros. Flores para las Flores. ...Conferir as frutas, conter as formigas, dar água e nutrientes às plantas. Não faltar com os pássaros. Todo dia é um jardim. Mesmo à noite. Daqui o vejo, tantas flores, os pássaros, cada um na sua hora do dia. Sabiás gostam de hortas remexidas. Cambaxirras da romãzeira. Tucanos gralham alto e mastigado no alto do abacateiro da minha vizinha de cima. Maritacas estão mais desavergonhadas que nunca. Como as pombas, são aves enormes, e também uma novidade por aqui, certamente devido à melhor preservação da serra. Vou fazer um pombal. Aqui na frente do meu estúdio, onde me resguardo do mundo. Muito breve estará tudo pronto por aqui, casas, galerias e Fundação. Aí só vou pintar. ... Os estúdios deviam crescer para todos os lados, para cima e para baixo, abrigando, agregando toda a obra do artista. Deveriam ser tão grandes que pudessem conter todos e tudo. Um estúdio, se me perdoem, devia ser um caixão. Geral e irrestrito, e para sempre... onde todos os quadros, os amigos, tudo, as lembranças, objetos, pensamentos... tudo fosse mudo, silencioso e quieto. E na mais perfeita alegria.
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