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Minha Vida de Pintor / LXII

Nada disso, querida amiga / Deixe o sol entrar! Vais gostar. Nada passa sobre a terra. Marília de Dirceu, Beatriz de Dante, de Ipanema, que nome bonito. Gostava muito da sua mãe. De seu pai, Dr. Gervásio de Figueredo Leite . Sempre me trataram muito bem, embora parecessem ter um certo "medo" de mim, e tinham lá suas razões...nascidas certamente do meu incorrigível outsismo -, lembro-me de grandes conversas com seu pai, em sua casa sempre hospitaleira para mim. Garoto de Ipanema antes da "Garota". Eis aí um bom marketing. Rui Castro ainda estava em Caratinga. Vagn ainda não tinha se cometido. Leila Diniz era ainda cabaço. Dolores cantava. Dalva de Oliveira cantava. Luz Del Fuego, demorado crepúsculo incendiado. Mamãe ainda não apreendera a fritar um ovo. Papai era ainda pior do que eu. Vovô, o grego, o gaúcho, desfilava de bombacha (para nós, farroupilha)  pela Praça General Osório, com punhal de prata na cintura. Madame Drácula vinha sozinha tomar chop no Jangadeiro. Já era, em bons sentidos, um centro cultural, toda de preto e solitária. Mulher de gênio, Álvaro Alvin, dizíamos nós, na mesa ao lado. Nunca cumprimentou ninguém. Entrava, sentava, pedia, comia e bebia, jamais pagava e saía. Poderia perfeitamente vender flores que seria um sucesso. Faminto, eu comia pedaços de pizza e a devorava com o olhar. Um dia, só uma vez, olhou para mim. Poderia tê-la conquistado, tal a doçura de seu olhar hospedeiro. Flebizei-me, entretanto, e minha boca abriu boquiaberta incontinente, e ela desviou o olhar. Sorte minha. Se tal não tivesse acontecido este seria uma livro quase que tão somente sobre ela, tal a sua viuvez genial. Performática.
Cesta de Frutas / 1993
Nada sei, como vêem, mas arrisco-me a dizer que este tipo de problema oferece soluções melhores quando não se trabalha muito, ganha-se pouco e é divertido. Erros o havendo, estão todos aí. Não lá, nunca lá. Portanto, pare de trabalhar. Não ajuda a pensar, em noventa por cento dos casos. São dez por cento de chance, acho que devia arriscar. A vida é uma sela. Monte nela. O que mais quer?
Mande-me só a foto do quadro por enquanto, por gentileza, pois ainda não tenho a data definitiva da retrospectiva -, era pra ser em Janeiro de 2007, para quando estava agendada, mas o status que ganhou São João Del Rei por ter sido eleita Capital Brasileira da Cultura, e com esta bela desculpa esfarrapada de obter apoios financeiros criou-se um comitê organizador... aí, fico de lhe confirmar a data. Os comitês nunca se lembram de mim. Aliás, de mim e de ninguém. Caso não faça a exposição lá, o que não duvido, inauguro a nova galeria da nossa Fundação com a retrospectiva, com certeza no próximo ano. Cidinha, esposa do coração, acha que devíamos inaugurar a nova galeria com seus 70 metros de porcelanato branco e iluminação de lagoa iluminada de lua ou sol, num lindo jardim-quintal, na mais linda rua do mundo, a Ladeira da Matriz de Tiradentes, ...com esta minha primeira retrospectiva. Acabamos de comprar a casa ao lado, que era da nossa recém-passada querida amiga vizinha Dona Zizinha, e ali vamos ter uma outra galeria, inclusive para exposições de outros pintores, e outras atividades culturais, com uma suite para hospedar artistas expositores, pesquisadores, em intercâmbio com universidades estrangeiras e brasileiras. É tudo muito recente. Temos boas esperanças com o Fogg Museum, de Harvard, onde visitei (sei que não estudei, pois à época a boa Harvard estava bem mais no campus que nas cátedras). E também com amigos da área da pintura, literatura, meus colecionadores, enfim, estamos todos animados com o projeto. Na verdade sinto até um alívio, pois há sempre o risco de tudo, matérias e imatérias se dissiparem, com percalços como este que imagino a amiga esteja vivendo com algum dos seus. Soube por Fatinha e Lulu, um casal que sabe de muitas coisas, ela neta da Cecília Meireles e ele neto da Lili Correa de Araújo, que a casa da Cecília no Cosme Velho ainda não virou a Casa de Cecília Meireles, como devia, e que lá já não se encontra (ainda bem que Fatinha a está guardando em sua casa) a mesa em que a mais bela das nossas poetas escrevia, sendo que seus livros, papéis, lindos desenhos (Cecília desenhava muito bem), um acervo extraordinário, imaginem, está a perder-se por falta de trato (e difusão). Meus amigos, meus inimigos, salvemos a Casa de Cecília Meireles, que está a ruir-se, fisicamente, esquecidamente, ameaçadamente.
Junte-se a nós, cara Marília, à nossa Fundação, você que sempre esteve tão junta. Traga-nos uma bela exposição daí deste Mato Grosso inimaginável. Um livro, vários, para serem lançados. Se não me engano você é amiga do poeta Augusto César Gomes da Silva...Tiradentes é uma cidade com grande atividade e projeção cultural, de grande beleza. Você conhece Tiradentes? Largue tudo, amiga, venha a Tiradentes. Mas, please, mande-me a foto do quadro, se possível com um close no lugar avariado, por e-mail, pois estou torcendo para que possa ser "apenas" um reparo na tinta, e não na tela, o que também, não se preocupe, pode ser consertado. Acho que este é o meu único quadro pintado a óleo e sobre tela de algodão, neste suporte decadente,  com esta tinta assassina e fedorenta. Tintas de truques. Talvez todos os outros o foram com tinta acrílica, e sobre vela náutica, papel vegetal ou poliéster film laser. Quero ver a cara dele! Quando o pintei era ainda menino, podia e tinha o talento, mas era imaturo como pintor. Mas, gostei dele. Se não me engano era um beijo, ou coisa assim, algo amoroso, meio Morandi, plácido pintor italiano. Talvez Modigliani, do qual me achava reencarnado à época. Mas que época? Será que está datado? Se tiver é único entre as minhas talvez três mil e tantas imagens, pois na minha fase de pintor profissional jamais datei um quadro, que eu me lembre. Você Marília Beatriz, que agradeço por tê-lo guardado tanto tempo, com tanto carinho, acabou por ter um quadro importante na minha obra, único em muitos aspectos.
Cesta de Frutas / 1993
Tenho pensado no quintal da Fundação. Um jardim-quintal. Um jardim é algo mais fácil. Todas as belas casas de Tiradentes os têm. Já um quintal, só os antigos moradores, como Zizinha, a minha vizinha. Pena seu jardim está meio decrépito. Três laranjeiras já tinham sofrido tanto e estavam tão velhas que foi melhor abatê-las. Um "pesco”, isto é um pessegueiro, estava com uma tonelada de hera parasita na copa e muitos galhos já podres. Podei o mais que pude e vamos ver se volta bonito, já que o tronco é robusto. A romanzeira estava fraca e quase não dava frutos. Hoje, um ano depois, comi uma romã perfeita, da romanzeira já perfeita. Um quintal, portanto, deve ter flores, para o alimento dos olhos. Hoje plantei umas sementes de abóbora e dálias que ela havia há um ano e pouco posto para secar. Pediram-me uma fortuna por uma réplica de uma fonte espanholada de pedra que intentei comprar, mas, declinei, somos uma Fundação que falta muito que fazer. Ensinar a pintar aprendendo com as crianças, por exemplo.
Cestas de Frutas / 1993
Mas, volta e meia, lembro-me de Tristão. De nossa Ana Triste. De todos estes heróis e heroínas que trago no sangue, aliás, como todos nós, pois existiria mais anti-heroína do que esta mulher que há milênios nos acompanha? Tristão não. Ouso dizer que ele não era ninguém sem ela, sua Ana, depois Triste de Alencar Araripe. Penso na República, por exemplo, na mais bela República que o Brasil já teve, a de Tristão de Alencar Araripe, e seus companheiros da Confederação do Equador, animados por sua mãe Bárbara de Alencar. Mas, como sempre, suas perguntas, caro Antônio Dantas Alencar, são bem melhores que as minhas respostas. Comecemos, portanto, pela mais terrível delas, se os mortos se comunicam com os vivos. Sim, acho que sim. E Tristão é um bom exemplo. Não fosse nossa função aqui, entre outras, a de resgatar a vida e a obra dos nossos familiares, e através (também) de seus valores nos relacionarmos com as outras famílias, etc.…Não se trata, caro amigo, de violar túmulos e sim, como você diz, de respeitar a paz dos mortos. Hoje, Tristão, ao contrário dos outros heróis da Confederação, nem túmulo têm, motivado por vinganças e descasos, e preguiça generalizada, nos mínimos. Digo preguiça porque quando o assunto é levantado logo se diz que as águas acabaram com os restos mortais do herói, e que não se sabe, etc.…mas ninguém no entanto pesquisou esta notícia dada por Esperidião de Queiroz Lima, ou seja, de que houve este senhor Botão, Domingos, famoso no lugar, que enterrou e quis se enterrar com Tristão, num ato de coragem, compaixão e admiração. Ou seja, é possível que os familiares de Botão tenham transferido os restos de seu antepassado próximo para o cemitério de Nova Jaguaribara, como outras famílias do lugar o fizeram, e assim tenham salvado os restos de Tristão.
O teste de DNA não seria um problema. Acredito que o Instituto Histórico do Ceará, através de nosso primo JC de Alencar Araripe, e de nosso agregado José Augusto Bezerra, muito poderiam fazer por esta importantíssima pesquisa.
Outra pergunta difícil é onde enterrar os ossos de Tristão.  Acho que melhor seria junto a Ana Triste, pois, pela lógica, imagino que isto a faria Alegre. Ana Triste, depois Alegre de Alencar Araripe.  Mas, tem o Botão. O Domingos Botão, que por merecimento e por respeito aos pedidos dos mortos, bem poderia continuar junto com os de Tristão. Enfim, a natureza é sempre sábia (!?) e acredito que os ossos de Tristão hoje são ainda mais vários, de modo que até esta solução de estar mais onipresente em vários lugares faria sentido. O que não faz é perder os ossos de Tristão. Bem, você diz que tem gente que pensa ser mais prudente deixar os mortos em paz. Mas, pergunto eu: haveria a paz dos mortos? Não sei. Sei que os ossos de um herói o fazem mais de carne, o tornando mais humano, e o mito vivo. Mesmo eu, até eu, posso ser um herói. E herói sempre os teremos e seremos. Heróis melhores, ou pelo menos iguais aos que já tivemos, esperamos. Heróis raros, esperamos.
Mas, onde estão os ossos de Tristão, o nosso maior herói, presidente e artífice da mais bela Republica do Brasil? Conta a lenda que "São Tristão”, após morrer em combate, heroicamente e por causa heróica, foi posto a secar amarrado a uma pereira-preta, junto a capela de Santa Rosa, e ali deixado por muito tempo a sofrer infâmias dos detratores atiçados pelos reinós. Secando ao sol diz-se que seu corpo mumificou de tal jeito que parecia estar vivo, três meses depois de seu assassinato - e, assim, ameaçador, como se não quisesse morrer ele fundou a República. Na verdade ele não queria morrer. Havia inaugurado a República, tomado Aracati, o ouro dos ingleses, e agora na hora da morte ele só olhava para a Serra Azul, onde estava escondida Ana, e seus filhos, entre eles, o menino Aderaldo Eulálio, meu quarto-avô. Ainda que execrado pelo Imperador, muitos o consideravam santo, e sabiam que naquele momento, com aquela morte que não morria, morria a Confederação do Equador e nascia a República. A mais bela de todas, repito, e que nasceu com Tristão de Alencar Araripe e seus heróicos companheiros. Entre eles, o coronel Domingos Botão, poderoso fazendeiro em Santa Rosa, e que o admirava muito, e que pediu, repito, a seus filhos que o enterrasse junto ao herói, na mesma cova, na capela de Santa Rosa. Tudo mudou porém quando se encheu o açude Castanhão, cobrindo o antigo arraial, onde perto, junto a um barranco, lado esquerdo de quem desce o Jaguaribe, caiu Tristão, após ter conquistado Aracati e ao caminho de encontrar-se com as forças de Frei Caneca e outros -, ou talvez, sentindo-se derrotado, tenha voltado seu pensamento para a Serra Azul. Um anjo, amigo meu, protetor dos arqueólogos e dos genealogistas, dos heróis e dos santos, disse-me, porém, que os ossos de Tristão hoje se encontram de fato junto aos de Botão, numa gaveta-ossuário do cemitério de Nova Jaguaribara, para onde foram transferidos antes da inundação. Em 2005/2006 vários Alencares, e outros, empenharam-se na elucidação do desaparecimento dos ossos de Tristão. Achado os ossos, provas de DNA, da linhagem materna, ou o DNA de sua mãe, a heroína cearense, mãe da Independência e da República, Bárbara de Alencar, que se encontram no Piauí , concluiriam a nobre missão. De passagem, assinale-se que é meio sem sentido que os restos de Bárbara de Alencar estejam no Piauí, quando bem poderiam estar em Pernambuco, onde nasceu, ou no Ceará, onde viveu e povoou descendência ilustre, hoje espalhada pelo Brasil e pelo mundo. De modo que muito devem a Independência e a República ao Ceará. E muito o Ceará ao próprio Ceará, e digo isto porque não quero que aconteça com Tristão nem com Bárbara o que está acontecendo com Cecília. Que saibam todos: aqui se viveu não só a primeira mas a mais bela República. No entanto, ainda se nega a primazia das idéias republicanas de Quixeramobim e do Crato, e ainda não se reconhece inteiramente, de fato e de direito, o animoso Tristão de Alencar Araripe como o Primeiro Presidente republicano do Brasil. Nem mesmo nas ruas e nos livros o nome de Tristão é assinalado corretamente, faltando-lhe quase sempre o nome de escolha, o Araripe brasílico. Enquanto isto, o de Costa Barros, por exemplo, sangrento facínora, pois mandou fuzilar vários heróis quando já nem era necessário, ostenta completo e correto pelas ruas de nossas cidades, embora poucos se dêem conta. É como se Silvério dos Reis fosse homenageado e Tiradentes tivesse seu nome surrupiado...
Contudo, a História vai contando novas histórias, agora de baixo para cima, e já se reconhece em Bárbara de Alencar a Mãe da Independência e da República do Brasil. Mas, ainda que na Galeria dos Presidentes cearenses, no hall do Plenário da Assembléia do Estado, no texto do retrato do Conselheiro Tristão, filho do herói, possa se ler ter sido Tristão Araripe o Primeiro Presidente da República da Confederação do Equador, ainda não se aceita inteiramente ter sido a Confederação nossa primeira República, o que é um absurdo.
Mas por que tanta demora? Tanta resistência em se ver o Ceará como o berço de tais conquistas? Sabe-se do mau hábito de negar-se ao talento e à extração popular à espontaneidade, a autoria dos fatos históricos. Nossa Independência, assim, teria sido uma benesse do Imperador e nosso primeiro presidente republicano tinha que ser de alta patente, e não um animoso herói do Cariri, de liderança inconteste, que levantava um cavalo com uma das mãos, que recusou o exílio e que tinha a consciência do porvir.
Diz-se que a mídia pernambucana, mais eficiente, talvez até soberana à época, seria também responsável pela versão pouco cearense dos episódios de 17 e 24, e iria impregnar e nortear as publicações cearenses e do país, e que as perseguições que se seguiram à débâcle republicana acabariam por imprimir na nossa alma a desimportância da nossa participação, ao nos quebrar a estima. Sabe-se que quase 500 revolucionários participaram do Grande Conselho em que Araripe foi eleito Presidente, mas ainda assim diz-se comumente que a Confederação teve pouca participação popular, quando tal número por si só atesta a magnitude do evento. Facilmente, por aqui, repete-se que Pernambuco teve a liderança dos dois episódios, simplesmente recorrendo-se à cronologia, mas esquecendo-se que, ao se assim apreciar, melhor seria creditar-se às idéias pernambucanas às revoluções Americana e Francesa, que as inspiraram. Se Pernambuco teve valorosos Carvalhos e Amores Divinos, o Ceará teve vários Alencares, Mororós, Sucupiras, Ibiapinas, Carapinimas, Antas, Araripes e outros. Ou seja, aqui ocorreram as maiores batalhas, daqui partiu a vitoriosa expedição a Fidié; por aqui nossos heróis brotaram como flores pelos mandacarus molhados; aqui se decidiu a batalha final e aqui a esperança da vitória viveu até o fim, e mesmo após.
Diz Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, em seu Diário, às páginas 451, citado por Antônio Dantas Alencar: ...”Ceará, talvez não tenha havido entre as províncias do império do Brasil uma que tanto se chocasse com o aborto da dissolução da Assembléia soberana quanto o Ceará Grande”.Pág. 452: "... derrocaram o monstro da cadeira da presidência (Costa Barros), formando um governo temporário, debaixo da presidência de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe; e se dispõem para resistirem a toda agressão da parte do Ministério do Rio, quer no bem, quer no mal”. Pág.527: "O Ceará tem tomado uma atitude que mostra a sua decisão enérgica contra os planos do Rio de Janeiro, e qualquer agressão externa”. Pág.528: ”Quem lhes ministrou, aos cearenses, planos tão bem concertados, providências tanto a tempo e cautelosos? Qual tem sido a província do Brasil que tem desenvolvido tanto liberalismo e despregado tanta energia? Que exemplo mais imitável aos povos do Brasil? Pernambuco mesmo deve fitar os olhos no Ceará, e confundir-se. Ali alçou o primeiro grito a liberdade, e seu eco fez estremecer o coração do império”.
É Frei Caneca, o grande herói pernambucano, quem diz a importância que o Ceará não se diz. E lembrem que em sua fuga, foi para o Ceará, ao encontro de Alencar, Filgueiras e Araripe que se dirigiu, na esperança de aqui ganhar as forças que já não tinha em Pernambuco. Diz ele: "... que, tomando-se todas as medidas necessárias para a defesa da liberdade da pátria, se levantasse o acampamento, e se procurasse outra posição vantajosa, donde pudéssemos ter comunicação com os liberais das províncias do Ceará...e especialmente com o General Filgueiras, a fim de combinarem os planos de ataque sobre o inimigo”.
Tivesse tal encontro se dado e talvez a Confederação fosse vitoriosa. Mas, nesta grande revisão em que passa a História, mesmo a derrota às vezes tem sabor de vitória, e dia a dia a Independência e a República, sem dúvidas, vão sendo mais nossas.
De modo que em boníssima hora o Arquivo Público do Ceará publica o primeiro dos três códices milagrosamente salvos do incêndio de duplo sentido mandado atear por Félix de Azevedo e Sá, referente aos primeiros atos de Governo da Confederação do Equador, escritos e assinados por Tristão de Alencar Araripe no exercício da primeira presidência republicana do Brasil. Palmas, portanto, à equipe de pesquisadores do Professor André Frota pela transcrição dos preciosismos textos, raros e importantíssimos para nossa História, e muito reveladores da personalidade, crenças, desejos, competência e grandezas do nosso maior e mais animoso herói.
A primeira surpresa é mesmo sua dupla função de estadista e guerrilheiro. Com letra clara e ritmada, Tristão, Presidente total do Ceará Confederado, quase um país, governa salomônicamente e sobre tudo. E aqui a velha alusão ao seu caráter afoito cai outra vez por terra, pois Tristão mostra-se equilibrado, gentil e sereno, humilde e magnânimo, determinado, sábio em todas as ordens de seu Governo. Animoso sim, manda a Companhia de Melhoramentos (uma criação republicana) cuidar das estradas, ordena que se plante mandioca ao invés de cana, manda prender malfeitores e portugueses, procura ladrões, premia heróis, obriga os covardes, repugna e proíbe os castigos corretivos aos alunos, pede armas, confessa-se em iminente ataque e diz aos seus soldados da Companhia de Guerrilhas...” He vantajoso brigarmos em guerrilha por entre as árvores, e este he o único meio de conseguirmos a Victória”. Pragmata, acossado por Portugal e pela Europa, Araripe chega a ordenar que seus soldados se defendam usando cada um "vinte e quatro flexas e dois arcos”, tal a consciência da pobre realidade bélica da nossa mais bela República.
Outra constatação revelada pelos manuscritos de Tristão Presidente é seu compromisso com os índios, a quem chama "meus valorosos patrícios” e com aos negros, ambos velhos aliados dos Alencares no Ceará.
Grande Estadista, Tristão governava um Estado soberano, cristão, republicano, independentista, abolicionista e Confederado. É belo ver como Tristão evolui em seus despachos agora publicados, das idéias para as práticas, da guerra para a paz, da segurança para a convicção. Guerrilha e Poder. É notável o ânimo elevado dos escritos de Araripe buscando a legitimidade da Confederação, seja a dedicando a Deus (todos temos nossas fraquezas), seja respeitando a propriedade e os acordos, seja lutando para manter o seu governo republicano e o seu Ceará governado.
Vamos ainda ouvir falar muito destes códices.
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