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Minha Vida de Pintor / LXIX

O Brasil (e o mundo) sem a boa e bela televisão e com a má e serviçal Imprensa. É. Talvez já tenham morrido. Talvez há muito tempo. Que a morte lhes seja leve. Escrevo-lhe um epitáfio: Já não mais tais excrescências. Ficamos sem escolha. Até o alter, até o alter ego nos traía, e restava no fundo de cada um a impressão de uma perda enorme. Mas, o que seria da minha amada vida sem as boas notícias e a agradável visão da televisão? Dia interessante é o que nos acorda com uma boa notícia, de uma grande vitória ou que nos dá o prazer de um teatro ou um filme no quarto, as pessoas representando na minha sala -, não, jamais fui tão invisível. Deve ser castigo por ter menino sonhado em sê-lo, para poder transitar leve no mundo e conhecer melhor o ser humano, na cama de meu quarto.
Subida da Matriz / 1996
Acordo e leio, habitualmente, há mais de quarenta anos, o noticiário nacional, o internacional, o cultural -, o nacional só tem crime, politicagem e futebol. Está um horror. Comunista virou terrorista e são todos criminosos. É inacreditável o espaço e o tempo que o futebol ocupa nos noticiários. Somando-o aos outros esportes, podia, estatisticamente dizer que a Imprensa é uma agência de notícias esportivas. Só pode ser dominação. Intragável. Há que se peneirar muito pra se achar uma pedrinha brilhosa… no meio desta lama marlarmeriana -, e, ou você via aquela porcaria americana ou lia aquela armação geral. Imprensa de guerra, já imaginaram algo mais esdrúxulo? O belo, o bem, o bom, o justo e o merecido haviam sumido das imprensas e televisões globalizadas ou anãs, e suas replicantes nacionais e internacionais. Se a ditadura em casa, por vezes era sublimada e difícil de ser detectada, no mundo era, por assim dizer, escancarada. As notícias eram iguais. Iguais como pastéis da mesma massa. Onde já se viu tal tirania, gosto tão uniforme? Primeiro os comunistas, hoje os muçulmanos terroristas. Escancaradíssimo. Vergonha. Pra ninguém botar defeito. Para aferir-se o nível de democracia e liberdade de um povo bastava medir as tramas embutidas e protuberantes do noticiário internacional e seus replicantes nacionais. Os militares e os jornalistas, os economistas, os banqueiros e os jornalistas, os industriais, os grandes comerciantes e os pequenos jornalistas, enfim, todos pensavam e agiam igual. Eram todos de lá. Do partido do Deus do dinheiro. Nunca, jamais a humanidade esteve tão ameaçada e nada, ou muito pouco, se fazia pela mudança do lá, nem do de cá. O lá se mimetizava imutável. O cá sofria de tudo. Bem, eu sempre apostei neste pouco, no pouco que saltava, mas por vezes gostaria de ser como John Constable, o maravilhoso pitoresco pintor inglês, que só pensava (se é que pensava) em suas paisagens pioneríssimas e esplendidamente pintadas. Pensar, só na beleza. Qual? A paisagem está sempre na frente da moda. E no entanto estávamos a ouvir, sempre e sempre, e por 50 anos! o tal do Fantástico que, se não me engano, tinha sido pensado para ser exibido apenas num fim de semana. Resultado, ontem à mesa dum bar no Largo das Forras, em São José de Tiradentes, com o norte-americano Berman Swarttz (produtor associado da Paramonut Pictures /  Houdini, Ben Hur and others), dono da mais bela terrazza com sacada sobre o Gran Canale, em Veneza; que vistei, em companhia de Melina -, que comprou Chagall, Rouault, Vlaminck e José Efigênio Pinto Coelho, de Ouro Preto, listei os meus pintores, e quadros preferidos. Watteau e o Embarque para Citara, A Primavera do Botticelli, os cavalos de Uccello, o Fuzilamento de 3 de Maio, de Goya, os campos de Van Gogh, os leites (esguichados) dos seios de Murilo, Delacroix e a Morte de Marat, todas as mulheres de Modigliani, todas as pessoas pessoalizadíssimas de Rembrandt (até o Cristo ele pessoalizou), o colorido de Gauguin, de Matisse, a linha de Dufy, as mulheres-louças de Renoir, Rousseau, a linha de Utamaro, as aulas de Ni Tsan (eu, pobre autodidata, tive que inventar um professor chinês  só para mim), e aprender nas rochas que lhe ensinaram a pintar (quando a névoa as desenhava e definia, todo dia, pela manhã, no Cuelin, onde por ali passei com Katrina, a caminho de Cantão), toda a arte geométrica dos árabes (alguém já viu coisa mais linda? Sim. Arte tem que ser inteligente, dizia minha esperança), os eróticos de Picasso (também, pudera! Com tanta pica no nome e xeca na vida, até eu, que só criei eróticos), a maestria de Manet (deveria ter pintado o Pão de Açúcar, preto) e a sedução de Monet (já imaginaram os jardins de Monet nas salas de Manet?) e, novamente Dufy, a minha alma artrítica -, enfim, à medida que um nome surgia outro se desnovelava… e até que chegamos ao Brasil: Tarsila, Di, Inimá, Volpi e Guignard. Vicente do Rego Monteiro (se a mídia deixar). Goeldi. Pancetti. Visconti, Castangneto, Taunay. Florence, Post, Debret. Ou seja, não é que fôssemos pobres, e sim que não tínhamos mídia. A mídia, portanto, era o bem, que sobre nós exercia sua má tirania. Aliás, toda tirania era má. Inexistia a tirania do bem. Nem mesmo a Beleza suportava a tirania. Mais difícil do que ser anarquista, e depois vegetariano, e depois artista e depois pessoalista-evolucionista e ter que crer que existe a beleza na miséria e o bem na tirania. Assim era este mundo, por enquanto. De modo que, concluindo, digo que amo e odeio os Estados Unidos, a um só e arrependido tempo. Mas creio que chegaremos ao fim do século com muito menos deístas no poder. Breve cada pessoa será e terá o seu próprio jornal ( hoje tão só uma facility com as notícias de Deus), factível de ser lido por todos, free e amplamente publicado. Sem tirania.  Nem mesmo do Gênio. Eliane Reis, minha amiga virtual e muito especial me disse que eu era um gênio. De mim que já disseram tudo ela foi a primeira. Gênio, contudo, é um perigo. Orbirta às voltas da idiotice, não, não creio que nenhum gênio das Arábias ou da China  tenha se apossado de mim. Vejo-o, percebo, diariamente, contudo, nas fumaças que enevolo e invoco, esfregando-lhe os meus desejos, públicos e íntimos, mas, gênio? eu ? declino. Sei muito bem que este calombo de formação genética(?) que me acometeu nas costas do crânio tem alguma culpa no cartório. Como desde cedo não gostei nem de pai nem de padre, rebelado que fui contra toda autoridade, indisposto por natureza, contra Deus e por Promeu, o meu herói para sempre, eu declinei. Perdi meus olhos e vi o não visto, perdi meu úmero e melhorei minha pintura, parei de escrever e escrevi melhor. Continuo amando, cada vez mais. Amar o sal. Amor sem leite. Declino.
Tiradentes / Panorâmica / 1999
Até lá, digo que feliz o pintor que deixa o jornalismo. Poder jogar sacos de areia de um balão ou voar cortado como uma pipa. Nada melhor. Gritar alegre, ser maritacas por um dia, e fazer dele, desde cedo, a radiante manhã dos azulões, neste córrego da mata atlântica, frio e lindo, no qual vivo. E onde pinto palavras. Palavras, há que se dizer, é para serem pintadas. Nas lápides vivas. Eu mesmo escrevo nas lápides graníticas, e pinto, debruçado neste penhasco da Serra do Curral. Vejo corças e veados, antigos tatus enormes, mamutes… fugindo do grande fogaréu. O Bendengó. Vi ali centenas de imagens. Aquilo sim era notícia! Imaginem os leitores (e visores) boquiabertos, procurando as estrelas que haviam sumido naquela noite estringídica, noite única, quando o céu, desestrelado, apagou-se de tanta luz. Então, súbito, tudo escureceu e veio o fogo, o outro fogo, ainda maior e mais afogado. Eu, frágil e caído, pós-maduro a apodrecer, jazente no chão, o meu coração, ele e eu, palpitamos diante de tanta luz. De modo que padeci, depois sob Pôncios Pilatos, ainda ontem sob os militares, hoje sob Bush, mas foi tudo muito rápido e sucedeu que o grande fóton virou notícia e, quando isto se deu, a imprensa, nefastada, acabou. Poderosa e acabada, a festejada acabou. Que visão! Nem mesmo mudaram o título. Podia ter sido: É Maravilhoso, por exemplo. Mas qual? Continuamos fantásticos a vida inteira.
Assim que pintar é como morrer e não enlouquecer. Ou seja, penso o inevitável e mesmo assim não enlouqueço. Posso morrer vivendo, esperando sem esperar, porque hoje morro e morro sempre e assim não morrerei jamais. Pois bem, hoje, logo pela manhã, o editor Rocco me telefonou, como sempre muito educado e objetivo e disse-me que gostaria de publicar, finalmente, o meu Life Boy (trinta anos depois!). Ri muito, rempli e feliz, e respondi-lhe que Life Boy estava meltado em dois outros livros, um ainda não publicado. E lhe agradeci honrado o novo convite e até a velha recusa, pois Life Boy fora o meu livro de desbunde; isto é, fora escandido de uns 1.500 aforismos relacionados à minha meninice, que resultaram nuns 400 e que, depois, reduziram-se a uns super-selecionados 50. Ele riu, satisfeito, meio encantado, e revelou-me que no dia do nosso clinche ele estava mesmo sem um tostão. Tinha investido tudo que tinha em Maria na Terra de Meus Olhos, o seu primeiro romance, digamos, a ser publicado por sua recém-nascida Editora Rocco. E o livro, obviamente, não estava indo bem de vendas. Enfim, deu lá suas razões e eu procurei conduzir nossa conversa para umas "pazes literárias objetivas” e sugeri-lhe que publicasse Maria, Marta e Eu, ou seja, Maria na Terra de Meus Olhos; Marta, Júpiter e Eu e Eu Promeu, o que amazoneu, num só volume. Ou então na seqüência, ou mesmo para começar, que publicássemos Minha Vida de Pintor, o meu livro mais-que-perfeito, e que escrevia no momento, on-line e in progress. Ou então, em parceria com a nossa Fundação, publicasse os meus Pilares, os meus livros verdadeiramente de arte nada coffee table books, of course.
A arte, e por falar em arte, a Imprensa toda, lida, ouvida, vista e sentida, intertextualmente percebida, está matando a arte. Aliás, sempre esteve. Primeiro me destinou pros rodapés, depois pros anexos e finalmente me emasculou. Nietze, até ele, foi entretenizado pelos midiáticos poderizados. Mãe Coragem, por exemplo, sumiu dos palcos, pois sumida foi-se a imprensa. Na verdade, era o novo globo imperializado, velho e de guerra de sempre. E no entanto, a Beleza, a vejo explodindo em todos os cantos do Brasil -, jovens, muitos jovens e mesmo velhos, todos artistas, fazem vida, colorem calçadas, fazem como podem, a arte que podem. E vestem a camisa deles mesmos. São todos versáteis, performáticos. Podem ser isto, são isto, podem ser aquilo e não serem nada, só desejo de viverem a sua melhor das vidas. Assim, tudo dá certo e a arte explode geral. Homem artístico, antes de cultural -, o povo, pobre povo, mesmo ignarizado realiza prodígios. Ontem, não posso deixar de narrar, assisti com meus amigos Alberto e Ben Batchelder, o meu escudeiro norte-americano, o Chorus Exsultate Voces, de Divinópolis, em conjunto com a Orquestra Pró-Música, de Juiz de Fora, no Teatro Municipal de São João Del Rei (nada mais lindo que um velho teatro restaurado), ao Messias, de Haendel. Que maravilha! Alberto, que conhece profundamente o Oratório e toda a obra do compositor alemão-britânico, sabendo cantar palavra por palavra, em inglês, distinguindo os instrumentos, os tempos exatos, e até o folclore da obra, reputou muito boa a apresentação. Destaco o maestro Alaor José Gonçalves, impecável, de uma economia e precisão de regência notáveis -, e todos os músicos e cantores, todos perfeitamente excepcionais. As chelistas, em particular, eram lindas, mineiríssimas, e o spala muito diligente, sendo o tenor, a soprano, o músico do tambor, os violinos e os trompetes inexcedíveis, e tudo, enfim, fluiu e refluiu solene e artistado. E a platéia, entusiasmadíssima, aplaudiu com força, várias vezes e até antes da hora. Alberto dizia: não! Ainda não é hora! Mas, ninguém o ouvia e até ele, por fim, aderiu a algumas palmas prematuras. Um reparo: só não gosto das roupas. Incomoda-me os músicos todos de preto. Deviam vestir a caráter. Roupas do tempo de Haendel, ou do Messias,  pois eis a alegria, a mais bela das artes, a melhor das roupas. E eis Haendel. O seu prodígio: de tal morbidez (como a morte de Cristo) tirar tanta alegria, a melhor cara da arte.
Contudo, como a vida, a arte também é selva. Não a arte, propriamente, que não tem nada (ou muito pouco) a ver com isto, e sim a mal engendrada vida, sua filha, a mais responsável pela selva piorizada que infesta a cidade selvagizada. Nela, uma simples pincelada é como uma frase, uma afirmação que embute uma negação, uma divergência inevitável. Arre! Quando uma pincelada é apenas uma pincelada, boa ou má, conforme. Nada mais. Enfim, os lugares das Santanas, sejamos honestos, é aonde estavam. A senhora é pessoa rica (não como eu, que só com esforço consegui viver bem e resultar uma obra plena de imaterialidade implícita e expressa), a senhora, digo, podia muito bem reentronizar suas Santanas nas igrejas que ainda existem. Seria o belo uso profano dos lugares sacros, ainda que implique também, hoje,  numa certa apologia dos Cruzados. Em Ritápolis, saiba o Brasil, roubaram um São Manuel de Portugal, um São Benedito e uma Santa Rita, sem muito valor, senão que era e é a Padroeira da Cidade, e que devolveram. O São Manuel e o São Benedito, que eram muito valiosos, sumiram. Bem. Pintar, como dizíamos, é como purificar o dinheiro, sem oração. Tenho que perdoá-la, e para tanto lhe peço apoio e substância para formar a Pinacoteca de nossa Fundação, um de nossos projetos mais importante. Que se purifique o seu tão inocente roubo nesta Pinacoteca feliz. Em troca prometo pedir emprestada a chave da sala da Sacristia da Matriz ao meu amigo Padre Ademir para que possamos ver juntos o tesouro sacro de Tiradentes, ali guardado a sete chaves (hoje, infelizmente, resumida numa só, a do Padre Ademir), e o conseqüente apoio de nossa Fundação ao projeto do Museu de Arte Sacra da Casa das Almas, já que o atual, o chamado Museu de Arte Sacra Tancredo Neves não é museu e nem tem arte sacra.
Borboleta com Serra de São José de Tiradentes / 1996
Ademais, um pintor, um poeta, um escritor, "aedo, poeta, cantador, contador, narrador e cantor” (como disse o Antônio Houaiss), vencedor já aos anos 60, pelas liberdades democráticas, contra a Ditadura, menino no subúrbio proletário do Rio, Garoto de Ipanema antes da Garota, formado pela mítica Faculdade Nacional de Direito, membro eleito e cassado do Caco, o respeitado Centro Acadêmico, membro oculto e disfarçado da Ação Popular, bolsista em Harvard, em 66 e 68, em Roma em 69/70. Jornalista, editor, editorialista, repórter especial, colunista do Jornal do Brasil, do Correio da Manhã, de Última Hora, membro fundador da Associação Internacional de Educação através da Arte, naturalmente evolucionista, artista, crente que a arte vem antes da vida e que esta, verdadeiramente, só serve para dar cor às tintas, e outros babados tais, casado, várias vezes (hoje feliz), com mulheres todas engalanadas (e que muito me ensinaram), caseiro de sua própria casa, irremediável e perdido no paradoxo de gostar de ficar em casa e de ter viajado mais que Marco Polo. Um jovem estudante qualquer, que amou Melina, Norma, Fernanda e teve Robert Kennedy como chauffeur, e que entrevistou Mao Tsé Tung e não publicou. …também, ele não disse nada, e eu nada perguntei. Amigo de Murilo Mendes, Emeric Marcier, Inimá, Mário Peixoto, Aurélio, Augustinho Rodrigues…Ungaretti. Paulo Sérgio Rouanet. Bárbara Freitag.  E que estreou aos 21 anos na vida artística, no Teatrinho de Ouro Preto, adaptando (ousar saber, uma ousadia, à época) O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meirelles, minha primeira grande sogra não oficial. Em resumo: eu não abro mão da Fundação. Até porque esta nossa Fundação, qualquer fundação, tem por objetivo se perpetuar. Oscar Araripe entra aqui de lambuja. É como (e ninguém melhor que você neste momento para saber disto) vencer sobre tudo que nos impediu e impede de progredir e se elevar. Eu e minha adorada Cidinha estamos oferecendo o que temos de melhor e podemos; isto é, os 25% do nosso acervo. E também a da Galeria da Fundação, por 100 anos, renováveis por outros cem e assim por diante. Vamos ser uma Fundação secular. Ou seja, que esta pequena mas muito boa frentinha na Ladeira da Matriz de Tiradentes seja para sempre um lugar cultural, artístico e transformador. Parva sed bona. Amem.
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