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Minha Vida de Pintor / LXXIV

Era um contraponto interessante: enquanto meu avô fumava haxixe no seu lindo narguilê comprado em Fez, no Marrocos, e dançava Zorba, o Grego, na sala, da janela de meu quarto, na Rua Barão da Torre 101, Ipanema, segundo andar, podia-se ver e ouvir Tom Jobin e Vinícius de Moraes a beber e compor e cantar aquelas tão tristemente belas canções dos anos 50/60.
Enfim, papai era gaúcho, mamãe do Ceará. Conheceram-se numa noite de luar, a bordo de um paquete, num cruzeiro romântico até Buenos Aires. Daí que nasci no Rio de Janeiro, onde papai resolvera estudar medicina e mamãe já morava há algum tempo, vinda de Fortaleza. Era moça prendada, meiga e ingênua e fora educada em lar estável, pois vovô, Oscar de Alencar Araripe tinha ascendência famosa e quatro paixões paradoxais: as menininhas, o boxe, os livros e o futebol. Adorou a filha e adorou a neta, quase foi campeão de boxe pelo Náutico, tinha a mais linda biblioteca do mundo, com porta-papel imenso, com um mapa da América do Sul marchetado, e fundou o Guarani, de Fortaleza. Minha avó, Memém, Alice Castelo Branco de Alencar  Araripe, ou Alicinha, era mulher sem estudo mas muito inteligente. Mandava como uma verdadeira matrona dos Alencares. Lembrava Bárbara de Alencar, quarta avó de meu avô Oscar, que sempre chegava antes e governava sobre tudo, Bárbara em sua fazenda cratense de algodão, Memém em seu lar de costureira-modista com atelier estável na Tijuca. Papai, jovem e bonito, remador e nadador notório, órfão de pai e mãe, e não muito assumidamente adotado, era muito esforçado e conseguira com muito estudo formar-se em medicina, num tempo em que ser médico era a mais difícil das profissões, e a mais nobre. Tinha força de vontade - ele mesmo dizia. Místico, talvez, deísta, teísta, sempre acreditou num ser supremo. Na verdade em vários. Esperou a vida toda pelo Maitréia, o novo Messias, o reencarnador de Jesus Cristo (e outros iluminados, ele advertia), que em 2006 iria se revelar na Terra, para espanto e salvação geral. Papai não gostava de papas e achava a igreja católica arrogante... enfim, ilustre família essa a minha. Tínhamos de tudo: pelo menos dois heróis (Bárbara de Alencar e seu filho Tristão Araripe), dois Presidentes da República (Tristão e Humberto Castello Branco), vários Governadores (Miguel Arraes, Marcelo Alencar, Eduardo Campos), prefeitos (Raimundo de Alencar Araripe), padres de proles prolixas, centena de políticos, militares (o Brigadeiro Araripe, que fundou o Correio Aéreo Nacional, o Tenente Coronel Araripe, cassado pelo Ato Institucional número 1), vários Ministros de Estado, escritores maravilhosos (José de Alencar, Araripe Jr., Rachel de Queiroz, Paulo Coelho), sete acadêmicos nacionais e centenas de regionais, artistas do pincel (Araripe Serpa, Oscar Araripe, Luis Jardim, Albery), da poesia e da música (Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré), pelo menos um cangaceiro famoso, o maior deles, Virgolino Ferreira, o Lampião, enfim, família, pelo menos no sobrenome (materno), nunca me faltou. E antes que eu me esqueça: Maria Bonita, mulher e prima de Lampião, era também Alencar. Mas será?
Flores para minha prima Maria Bonita
Dos paternos tenho poucas informações. Meu avô genético, Domingos Ferreira, era um comerciante português de sucesso na cidade portuária de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, na segunda metade do Século XIX, onde chegou a importar vinhos. Vovó, Isolina, era considerada a mulher mais bonita do Rio Grande. Provinham da Espanha, creio que da Galícia. Morreu tísica e ainda muito moça. Viúvo, cheio de filhos pequenos, vovô casou-se com uma megera e papai foi largado num orfanato pobre, isto em 1920, mais ou menos. Vovô morreu logo depois e papai ficou órfão de pai e megera, pois até ela morreu. A irmã de vovó, Emília (considerada a mais feia do Rio Grande) então "adotou” papai. Enfermeira, conheceu meu avô grego quando o socorreu do naufrágio (referido acima) e, ao casar-se com ele, me deu este maravilhoso avô grego, com certeza a maior das minhas influências da infância. Foi dele que soube que existia o mundo e que se podia viajar nele, como ele fizera e eu, anos depois, iria fartamente fazer. Disse-me do mar-convite, contou-me de Ulisses, da guerra de Tróia e da bela Helena, que fora prostituta em Corinto, como Teodora em Bizâncio. Fez-me crer na Glória, nas palestras, no engenho, nos mármores que duravam para sempre. Ensinou-me a fantasia e as coisas impossíveis. Assim, já na infância, ninguém foi mais grego do que eu. Talvez nem mesmo ele, que adorava o Brasil. Mas, em seu tributo, digo que o que mais me fascinou em sua extravagante pessoa foram as pipas que ele me fazia, com bilhetes perdidos de loterias, que sistematicamente comprava e perdia, ainda que tenha ganho seis vezes o grande prêmio, sem contudo ficar muito rico. Milhões, perdidos, no ar, em rito de beleza, pura afeição pela alegria da vida. Marinheiro, era o maior dos viajantes. Conheceu o Cáucaso, o Caminho da Seda, as trilhas de Katmandu. Enquanto Tom e Vinícius entre largos tragos de whisky compunham, Insibulus Trasibulus Marcoisos, em plena Ipanema dos anos 50, sem que ninguém o percebesse ou soubesse, passava suas largas tardes de verão fumando e dançando e lembrando de seu Corintho natal. Só muitos anos depois é que soube tratar-se aquela substância marrom-profunda, muito cheirosa, uma corruptela de assassino, mas jamais esquecerei os lindos desenhos incrustados no seu narguilé dourado. Fez...talvez ele o tivesse comprado na Grécia, gozando antecipadamente o furor que iria causar em Rio Grande, pois pra Grécia ele ia todo verão de lá, de navio, quando trazia dois barris enormes de azeitonas pretas de Corinto, que ele ia comendo dia a dia todo ano, entre tragadas de delíquios e palmas dançadas, másculas e graciosas, porém. Já minha avó adotada, Emília, era seca e ereta como uma mulher de Lorca, postava-se como um cano de espingarda e nunca a vi sorrindo. Jamais dançava com vovô. Parecia querer contê-lo nas cintas -, mas, aquele grego forte, experiente e pesado só fazia o que queria e jamais vi nada que o desabonasse. Amei, amava, amo este meu avô grego, tão inventável.
Flores para Cacá, meu avô Alencar
Já Cacá, pai de mamãe, me apresentou os livros; os romances de Alencar (alguns dedicados a ele), os contos de Machado, que Araripe gostava -, proclamas do Padre Cícero, alguma genealogia do sertão e uma preciosidade que muito amei e que veio ter comigo: Antigas Famílias do Sertão, de Esperidião de Queiroz Lima. Cacá me falou de Bárbara de Alencar, sua quarta-avó, mas foi no livro de Esperidião que me encontrei com a heroína na sua dimensão mais humana e o sentido de sua grande bravura e piedade. Anos depois, quando me vi lutando contra a ditadura dos militares, sua luz firme e terna me serviu de lume e foi como se ela e Tristão, seu filho também herói, estivessem o tempo todo (de chumbo) comigo. Cacá dizia: nós os Araripes sempre estivemos ao lado do Brasil. Araripe Júnior, o crítico, ensaísta e romancista, outro Tristão de Alencar notável, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e sua descendência direta e indireta pôs mais outros seis Alencares lá. Araripe Jr. deu as bases para o entendimento do romantismo, então insurgente. Seu ensaio Ulisses e o Mundo Moderno, ainda que centenário, é de atualidade surpreendente. Ibsen foi por ele analisado até à alma. Pilares, éramos pilares, sempre tivemos os livros. Bárbara, antes dela o pai, Leonel, o descobridor da Serra do Araripe, foram libertários por natureza e grandeza, eram os "nobres do algodão”, e muito religiosos, pois, à época só a Igreja e as abastadas famílias detinham os livros. Foram os livros, como sempre, os culpados de tudo. Ela padeceu já sexagenária terríveis privações presa no calabouço da fortaleza de Fortaleza, por três intermináveis anos. Tristão foi esquartejado, como Tiradentes, e exposto à execração pública. Mumificou-se pelo sol e o vento apojador do sertão de Santa Rosa, no médio Jaguaribe. Morreu e não morreu.
Assim, como se vê, nem tudo são flores na várzea alencarina-araripina. Nem tudo são odores nos salões dos Alencares barões do algodão, nem nos de seus descendentes. Enquanto eu morria diante dos canhões de 64, outros Alencares-Araripes ocupavam dois ministérios, a presidência do Supremo Tribunal Militar e até a Presidência golpista da República. Bem, Tristão também deu o golpe e tomou a presidência da Confederação Republicana do Equador... mas a diferença é que meu quinto avô estava no sopro da História e foi eleito, e Castello, um primo afastado porém próximo, não. Eu acabara de entrar na Faculdade Nacional de Direito quando o golpe se deu. Estudantes de várias faculdades e mesmo secundaristas resolveram fazer uma vigília anti-golpista no prédio, convocados pelo CACO, o Centro Acadêmico dos estudantes de Direito. Eram centenas de rapazes e moças, algumas grávidas, outras com os filhos nos braços, apinhando os três andares do histórico prédio da Nacional de Direito, na Praça da República. De repente a Polícia Militar (do Governador Carlos Lacerda), que aderira ao golpe, começou a metralhar o prédio e houve um início de pânico generalizado. Instintivamente, pulei em cima da cátedra e pedi calma aos colegas. Estranhamente eles se controlaram e quando desci da mesa, sem que mesmo me desse conta, estava eleito para o incensado Diretório Acadêmico. Durou pouco minha carreira política. Três meses depois já estávamos (toda a diretoria, mais o nosso coordenador de AP, Carlos Eduardo Bosísio (a ver, no fichário do DOPS : Oscar Araripe DOPS  http//www.gedm.ifcs.ufrj.br ) ... cassados e supenso das aulas. Grande lição do Direito. Ceder aos canhões. Não, eu não podia suportar aquilo, ademais doía literalmente na pele, pois podia "cair”, como muitos estavam "caindo”. Levei cacetada, chute, soco e desprezo. Tive que queimar meus livros de Plekanov, Marx, Engels, Hegel, Che, Mao, Brecht e Marcuse. Queimei até Vladimir Nabokov, só pelo sobrenome. Humilharam-me ao ponto de ter que esconder o que lia e não poder ir onde queria. De modo que militei por anos na AP, a Ação Popular, grupo personalista-marxista formado por católicos e leigos, inspirados em documentos-base humanistas, clássicos e pós-modernos (mais ou menos clandestinos) e na obra de pensadores franceses, como Emanoel Mounier, Maurice Nedoncelle e Jean Lacroix. Foi uma grande perda para a política a extinção da Ação Popular. Recorde-se que formávamos à esquerda do Partido Comunista e que a AP atraía também os jovens artistas, fossem da imaginação ou da crença, acenando-lhe com um sistema de idéias que só por ser um sistema e não uma ideologia já lhe dava um caráter espontâneo, o que agradava a muitos, como eu, anarquista-espontaneísta. Bem, lá se foi a AP e sem ela chegaram os fundamentalistas. Ninguém fala, ninguém viu. E no entanto talvez a AP não-confissional esteja faltando no mundo. Malfadado mundo sem AP. Pessimista!? Eu? Otimista!? Como saber? Sei que andava escondido e que acabei recrutado ou recrutando-me pela Interamerican University Foundation, para assistir uns seminários sobre Ciências Políticas na Universidade de Harvard. 1966. E assim deixei de ser político. Ainda bem. Sempre fui avesso ao que se chama disciplina, não consigo fazer nenhum movimento em conjunto com o de outra ou de outras pessoas, descomungo idéias com muita facilidade e a emoção me guia como um patinho. De modo que às vezes, após o combinado, votava contra o combinado e aquilo era o que mais irritava meus companheiros. E também as minhas camisas coloridas. Mas eu gostava muito do meu grupo clandestino de 5. Não posso deixar passar: as camisas, e tudo o mais. Sempre gostei de camisas de tintas fortes, achava que o universo era in-formado, falava de Syrius como se fosse o néon do snack-bar da esquina, enfim, esta mania de observar formigas e querer voar e ser invisível levara-me a uma independência, a uma tal liberdade interior que me fez senão misantropo eremita, e eu, por fim do meu melhor início, resolvi imitar as borboletas e procurar ser só e muito bem acompanhado. De tudo restou a Pessoa, que aprendi na AP, através da leitura de toda sua tradição humanista. Foi assim que cheguei ao conceito de Pessoa e sua inerente oposição ao de Indivíduo. Era a Pessoa Iluminista, ou melhor, a Pessoa-evolucionista. Bela, bela pessoa. Pessoas como escolas, absolutamente excêntricas. Era maravilhoso. Eu, uma pessoa, poderia ter tido sorte melhor? Sim. Poderia. Não creio que o fel contenha todo o favo, creio no mel, embora alerte que enfeze. Mas, que escolas ensandecidas... fui expulso de todas. Nem me lembro de meus professores, exceto um: o Professor Ribeirinho, do Colégio Baptista, no Rio -, ele ensinava Geografia (eu adorava geografia) e, creio que por sua aparência, baixinho, meio gordinho, careca e de óculos, não impunha muito respeito à turminha de bárbaros desajustados, ou abandonados internos, que fazia um alvoroço incrível e debochado quando ele entrava. Ele então, o professor Ribeirinho, rapidamente, todo dia, para calar os revoltosos, recitava em altos brados um mesmo trecho de Os Lusíadas, de Luiz de Camões, referente à Conquista de Celta dos mouros pelos portugueses, quando um soldado português vê o colega descendo o morro apavorado pela batalha, e tenta lhe gozar. Isto no belo português de mil quinhentos e tantos. Recitava ele, o inesquecível professor, para assombro geral (cito de memória):
 
Olá Velozo amigo : este outeiro é melhor de descer do que de subir?
Se é - disse o ousado aventureiro:
Bem depressa vim para cá correndo por saber que estavas cá sem mim.
 
Acho que sempre fui um Velozo amigo. Desço correndo a fortaleza e a entrego ao primeiro que a queira. Fujo da luta mas arranjo um jeito de sempre vencer. Viva Velozo, o meu amigo camoniano, amigo e salvador do bravo Professor Ribeirinho.
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