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Minha Vida de Pintor / LXXVI

Faraó de Liliput, distraio-me construindo, até onde posso, a casa de meus gêmeos, o escritório de Cidinha, a galeria da nossa Fundação, a residência para os meus amigos pintores, banqueiros, príncipes e papas, caprichando no aviário, de altura invejável, em verdade enorme, artístico, cheio de pássaros, como eu, cheios de espaço no cativeiro, nascidos no cativeiro -, isto acrescido de um projeto de criar e soltar canários-da-terra, curiós, coleiros, tucanos e tucanas pelas faldas da Serra de São José, à procura, talvez, dos pássaros dourados da minha meninice (...o pássaro de ouro, cheio de arabismos) -, assim, construo o aquário, de carpas coloridas e domesticadas, pelas mãos de quem as afaga e dá de comer, emladrilhado por seu João, mestre-obreiro, que o cimentou com muita artezania... pra que o cardume pudesse se multiplicar trazendo sorte à casa e a nossa frágil recém-nascida Fundação. Tudo de vidro, forte, porem. Muitos riscos de ruína. Mas, resplandecente. É uma casa de louros, de canários, peixes e muito jiló, banana e laranja para os sanhaços e gaturamos. Imagino que quando os pássaros eram sauros os jilós fossem gigantes. Não existia e já estavam ali, naquela campina ainda inexistente, ouvindo o trinar altíssimo do sauro gigantesco e distante e, distraído pela melodia do trinado e vendo uma lápide alta e no jeito, improvisei rapidamente uma escada e ali pintei o meu veadinho espavorido. ...Portanto, coisas é que não nos faltarão, e aqui entra o meu amigo artista-serralheiro de nome Inácio, a quem pedi também, já que ele mesmo construiu o imenso viveiro dourado, uma escadinha de ferro baixinha, ligando a minha pequena galeria à grande galeria da Fundação. Radiante construção. Não tenho escravos e construo pirâmides, e assim já temos uma horta viçosa, mesmo com o quintal ainda abarrotado de entulhos, nossa Fundação, nossa casa, já tem uma horta. Há meses que comendo alfaces com gosto de alface. Temos já plantados vários limões, uma amoreira, dois pés de maracujás-doces, duas jaboticabeiras, e mais não plantei porque não posso, despossuido que sou hoje de terras. Em verdade vos digo: meu mundo é bem pequeno. Talvez. Sem dúvida. Parva sed bona. Mais tivesse e plantaria lichins da China e mamãozinhos de Santiago de Cuba, e mangueiras colossais da Bahia. Mas plantei duas siafortes, já crescidas, lembrando Portugal em cachos-candelabros de continhas verdes e vermelhas. As plantei perto do aquário. Para os peixes comerem. Dizem os chineses, espertos cidadãos comerciantes, que tudo que é bom pro homem comer, o é também para as carpas. Terão coquinhos, pois. E cocô de passarinho. Tomara que possam comer, tomara não sejam venenos. Estas continhas vermelhinhas certamente o são, mas, no princípio era tudo veneno, e foi morrendo que viramos artistas. Antes mesmo do nada, a arte já ensaiava seus riscos, antes mesmo da pedra quente e lascada.
Flores para Tristão de Ataíde / Alceu de Amoroso Lima
Muitas coisas se passaram desde então, vejo. Foram meses sem citar, apaixonado que estava (e estou) pela minha obra edilícia e paisagística. Fiz uma exposição em Ouro Preto, no Grêmio Tristão de Ataíde, cujo Alceu de Amoroso Lima entrevistei por ocasião dos 50 anos de Raízes, para o Jornal do Brasil, nos idos dos 70. Revi amigos. Iluminados como são, Débora e Cristiano Kok me compraram duas grandes telas. A vernissage foi um escândalo. Havia um frisson na galeria. As pessoas exclamavam, se manifestavam. Maria Efigênia Carabina cantou várias vezes, Paulo Augusto declamou um canto do Romanceiro de Cecília, entrecortado por esquecimentos notáveis. Em pessoa, imensa, a bailarina Marília de Dirceu declamou a si mesmo e Ângela Xavier contou uma de suas histórias ouropretanas, ou zeefigenianas. Tudo isto durante o encontro dos ex-bolsistas da AUI, em Mariana, sob os auspícios do escritor Roque Camêlo e sua mulher Merania, onde revi velhos colegas de nosso programa em Harvard. Fiz ainda uma outra exposição, durante o encontro, mostrando na Câmara de Mariana o meu Tiradentes Repintado. Falei no púlpito, chamado por Roque Camello. Disse que era uma pintor que cansado do verbo tinha achatado as palavras e me tornado pintor. Vi que Cristóvão Buarque que me ouvia atentamente sorriu prazeiroso. E também Flávio Bierrenbach. Depois com Cidinha e meu amigo e escudeiro, o causídico Josiler Magno Reis, estivemos em Cataguases, onde conhecemos o bravo e belo rapaz Marcelo Peixoto, por quem nos apaixonamos de pronto, face à pessoa e a obra que realiza, artística, cultural, social, e outros als, à frente do Instituto Francisca Peixoto. Vi belezas belíssimas. Bonecos, quadros, computadores, energia solar. O pintor Bracher, de Ouro Preto, a pintora Yara Tupinambá, o Carlos Scliar, o Layon, de Mariana, já todos tinham passado por lá, bem antes de mim e ilustravam sua inestimável coleção de pintura, e que de pronto convidei para que fosse mostrada na galeria da nossa Fundação. Marcelo é a bola da vez, pessoalíssima, diga-se, de uma linhagem de pessoas extraordinárias, pois souberam trazer desde cedo a cultura à Cataguases. Comerciantes, explica-se, enquanto em outros lugares os ricos fazendeiros iam acumulando fortunas que dissipavam em luxúrias e mesquinhês. Uma tese interessante...
Saudade de Murilo Mendes
Antes, porém, de Catagases, passei a visitar o meu admirado admirador Romário Geraldo, pro-reitor da Universidade de Juiz de Fora, que me recebeu em seu gabinete, reunindo conosco seu animado diretor cultural José Alberto Pinho Neves, ponderadíssimo senhor, com larga experiência no trato das questões da cultura mineira e mesmo brasileira, ainda que tenha nascido em Portugal. Pedi-lhe uma exposição sobre meu breve amigo Murilo Mendes, com textos, audiovisualizações e pinturas de seus admirados e admiradores artistas da Europa, a citar Capogrossi, Morandi, Miro, Vieira da Silva, Arpad , Braque, Magnelli, De Chirico, Max Ernst, Roualt, Picasso e brasileiros como Guignard, Ismael Nery, Da Costa, Portinari e em especial um pintor maravilhoso que recém descobri, ao visitar o Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, chamado.... Turcato, Gino Turcato. Que pintor interessante! Nunca tinha ouvido falar. Também pudera. Como ouvir falar de um artista que presta? Mui difícil. Ou daí a obra. A obra era a garantia, que, em verdade, nem existia. Parva existência. Tudo era e nada, sendo tudo, pelo menos para nós que estávamos ao dizer de hoje... sem voz. Os livros bons, frases assombrosas pareciam não passar do quarteirão. Portanto, tudo era e era não. Mas, como ficar por aí? Morria-se? ... ora, a literatura não existia, já ninguém lia e a pintura só tinha valor porque era um ser vivo em si, muito especial, uma espécie de vida pinturesca, congelada e movimentada, e às vezes até parada, como o silêncio que sempre portava. De modo que entrávamos ali como em Persepólis. Alamedas de pedra, ruínas, onde nem o chão resistira, enfim, era um mundo para não se ler e tudo ver. Visões sobre visões, como nunca se viu. Enchentes em England, vampiros suando, banhos fenomenais. O fogo alastrava-se. Uma nova ordem se alevanta. Devemos construir. Vida aos pássaros, aos homens, os indígenas. Amado rude. Pavimentados caminhos de pedras. Isto. Pintar ali. Objetos vivos, dinheiros vivos, muitas pessoas em cada pedra, nos muros, tudo muito bonito. Como um índio eu só queria o Belo. Nada democrático; ou melhor, nada oligárquico. Simplesmente livre. A independência, a pessoa respirada, há de reinar no reino do poeta. De modo que havia o poetão (o Camões) e o Drummond. Poetaços. A Alegria. E o haveria? Os Salmos! Wofgang Amadeus Mozart? Sim, este era alegre. Mas, onde, enfim, a Alegria? Onde a deusa perfumada? Fosse eu eterno e seria alegre como Mozart. Belo alento da minha vida, de inocente canário-da-terra. E assim como ele. Passo o dia a comer alpiste. Um pensamento na Serra, uma cor na pedra, um céu de azul anil eterno. Sorte minha a pintura vender. Azar dos literatos, como eu, que sempre achatei as palavras, fosse pintando ou escrevendo, daí ter morrido de fome, após ser incapaz de sustentar família. Mas, o que importa? Para o povo saber tinha que se ter a coragem de além de uma obra corajosa poder praticar um ato midiático. Algo que fosse um breakink new na CNN ou na BBC ou Al-Jazeera. Um livro sobre os pólipos escatológicos de Bush? Aliar-me a Bin Laden? Seqüestrar a Rainha Elizabeth, não esquecendo a coroa? Ou quem sabe o Gabeira? Seqüestrar o Gabeira, eis aí uma boa idéia. Pintor ensandecido seqüestra o seqüestrador do embaixador americano. Uma manchete absolutamente anônima. Anônimo eu. Era o melhor caminho. Avançar até Darwin, que só publicou quando viu que ia ser roubado e já estava quase morrendo. Aí sim. Resistir à glória, à eternidade. Essas coisas fáceis neste mundo de pó. Virar pó, isto sim, misturar-se, ser a mulher, o pingüim, o ser que fosse, seja pintado, escrito ou falado. Mimetizar-se. Ser invisível e nem por isso voar. Tão somente ser e imiscuir-se. Um dia a passar, tão-somente. Alegre. A fazer o dia alegre. Não sei, não importa, faço e não sei. O faça é a alegria pintada. Nada mais, mesmo que tudo mais. Meras tintas animadas, eis aí a boa pintura. Mundo de ver. Só vivi por isso. Sem Vivi.
Flores para Bárbara e Sergio Rouanet, meus vizinhos em Tiradentes
E assim a vida foi passando, alegre e triste, nada banal. Coloria os quadros e embranquecia os cabelos. Salvava-me, por exemplo, os iluminados jantares do iluminado casal Bárbara  e Sérgio , inesquecíveis, primeiro diante de uma lareira, do arquiteto Gustavo Dias, presente ao raríssimo acontecimento sócio-cultural e artístico em Tiradentes, onde Anna Maria e John Parsons, Marília e Celso Nucci, eu e Cidinha formávamos um anfiteatro de bolso diante das chamas crepitantes mas que pouco ouvíamos, já que a conversa foi muito animada. Imagine os senhores que o mundo ainda desconhece o cômico-trágico incidente "pararelo" vivido por Bárbara Freitag Rouanet -, isto é, mais que cômico, cósmico, e que pra encurtar a história (que ela contou como o velho Proust, caprichando nos detalhes e com prazer) resultou na morte de nada mais nada menos que Carlos Lacerda. Disse ela (e estou certo que era verdade) que um dia um umbandista para livrá-la da pixação de Dama de Berlim, alcunha lhe dada por quem e contra quem precisava vencer uma batalha paralela de vida e morte, achou por bem espetar umas agulhas num bonequinho de pano que seria (e foi) Carlos Lacerda. Pra quem é velho ou esquecido, como eu, ou jovem esquecido, como eu, explico que Carlos de Lacerda foi um comunista notável, uma espécie de guru da segunda geração de comunistas brasileiros, grande orador, agitador, encantador, odiado e amado, e, enfim, quem o derrubasse, ele que havia derrubado pelo menos dois presidentes da República, seria o nosso David. Era comunista e virou direitista ferrenho. Contudo, tinha ilustração, amava o teatro (digo amava por que sei, embora amasse demais a si mesmo). Como, contudo, não acredito em bruxarias nem que las ayas, estou mais querendo acreditar que Bárbara o tenha derrotado por sua juventude de pessoa formada. A Dama de Berlim. A literatura. O vinho branco alemão perfeito, e sobretudo a conversa nos contagiou maravilhosamente. Sérgio, um machadiano que vem chegando avançando por fora, leu um longo conto de Machado de Assis sem errar uma palavra, uma pontuação, um deleite, em que discutia-se a questão do adjetivo e, como sempre, mais do adjetivo que do substantivo. Ao ouvir isto, lembrei-me e trouxe à conversa o impecável trabalho do Celso Nucci, a saber, a edição das normas de redação da Radiobrás, ao tempo que carinhosamente disse preferir o adjetivo, não por ojeriza à substância, razão da minha procura, mas por achá-lo, junto com o pleonasmo (olha aí um pleonasmo: junto com), os dois maiores desafios que conduzem à arte da escrita. Escrita, para mim, é arte. Coloco-a ao lado da joalheria, certos que um diamante pode cegar. Mas, pobre do adjetivo. Era preciso mais que um arquiteto, mais que um inventor, mais que um artista para ousar usá-lo com maestria artesanal. Que maestria! Não digo que me surpreendi ao constatar naquelas três horas de jantar, o quanto Anna Maria é lida, e interpretada, mas fiquei surpreso com seu conhecimento, análise de vários lapidares da literatura, como Sterne (amava as estrelas), Balzac (desastroso empresário), Maria Padilha, uma bruxa judaico-cristã, quase mítica, enfim, Anna e John trouxeram à baila da lareira refinamentos incandescentes, ao tempo em que algum ceticismo foi lançado sobre Tiradentes, como herói. Para mim, bastaria a consciência do porvir para qualificá-lo. Argui que os marxistas tinham errado ao não quererem os heróis. Tínhamos apenas que humanizá-los ? - disse. Mas, foi um pouco demais. O jantar foi servido. Farto, quente e original. Destaco um curry de cogumelos inolvidável. Todos pontificaram. Como é bom o convívio humano, à volta da mesa inteligente e de altos e nobres propósitos. Lembrei-me dos pássaros e suas plumas, suas belas artes, as mais belas de todas. Falei dos dinosauros que cantavam altissonantes nos vales. Mas, estávamos à mesa. E havia outras sobremesas, estupendíssimas, mas voltavam-me os pássaros, curries como canários, e laranja-da-terra adocicada e amarga em seu próprio quintal. E ainda o curau, maravilhoso! Estávamos em Minas(?) e falamos do monumento do Trevo de Tiradentes que estava a nos preocupar face ao fato do Prefeito ter pensado em por na entrada da cidade uma namoradeira que, pra quem não sabe, na verdade, era uma fofoqueira, uma bela moça geralmenbte mulata que ficava enganosamente na janela a sonhar um namorado, já que namoradeira no Rio é um móvel em S que o casal se sentava de ponta-barriga, enquanto que em Minas esta idéia era mesmo de uma moça fofoqueira que ficava na janela a caçar quem passasse pra fofocar. Falta de jornal. Aqui em Tiradentes nosso jornal é de São João; ou seja, São João tem cultura, Tiradentes, cultores. Mas que belos cultores. Todos ali, inaproveitáveis em suas maiores essências, habilidade e assombros. Bem, aí então um vereador da oposição resolveu para segurar o Prefeito pedir o tombamento de um monumento modernoso (nem mesmo era um Niemeyer, nem mesmo era um triângulo), de sentido obscuro, já que além de sua forma banal era mal feito, talvez um marco rodoviário, vá lá, mas nunca um monumento à entrada da pequena grande cidadezinha em que vivemos. Fiquei irritado. Ora, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Era melhor um concurso nacional para a escolha de um monumento. Todos apoiaram. Mas, lá pelas tantas, certamente inspirado pelo Oyama Ramalho, que não estava no jantar (o caso ganhou dimensão nacional, principalmente depois que se descobriu ser uma obra sem assinatura e dos tempos da ditadura militar), o John Parsons trouxe uma fundamentação artística à questão, lembrando-nos da Serra, o que inspirou o Oyama a dizer que o melhor monumento era a monumental Serra de São José. Imediatamente declinei. Para mim eles tinham ganho o concurso (ademais, quase irrealizável). Deu parabéns a todos e sugeri três grandes palmeiras imperiais, plantadas em triângulo e já replantadas bem crescidas para que já muito breve pudéssemos ver de longe o símbolo da nossa chegada. Uma aguinha singela. Um banquinho. Pronto, Para mim podia-se dar por encerrada esta questão. Pela internet, como sempre, vencemos nós. Mas, não pense os meus amados leitores que um jantar daqueles podia ser descrito assim tão de passagem. Sérgio, grande provocador, perguntou-me de chofre: você era comunista? Não. Maoísta? Não. Araripista - disse eu. Ou seja, araripista mesmo só eu, a pessoa, ali a rir, gozando com os fatos do conhecimento assim tão bem narrados que com certeza teriam agradado a qualquer bam-bam-bam da arte e da cultura. Penso em Rylke sobre Rodin. O belo pássaro e o bárbaro macaco. Que diferença! Que vida comum! Credo. Prefiro os pássaros, que escultores! Que sauros! Com certeza, podiam cantar assim, revestidos de tão belas plumas, penas que já não são penas, cantos, aedo macaco. Porco, nos foi servido um  porco. Nestes  tempos de grande porcariada o porco parecia o mais saudável dos animais, embora não devessem ser comidos. Quanto erro! Como comer? Comia sim para negar a Deus e toda sua horda de transeunticos. Eu, o verdadeiro Deus, o maitréia-pintor-jardineiro-e-cantor, o melhor mesmo a fazer era desfrutar do jantar tão convivente, tão animado. E eis que então e não mais que de repente, o Nucci faz referência ao meu livro sobre a China, elogiando-o mas ao mesmo tempo me perguntando de chofre que havia reparado uma certa simpatia de minha parte com a Revolução Cultural e se eu ainda era a favor. Disse-lhe que sim, que o que gostava na Revolução Cultural era o anti-confucionismo, especialmente a não aceitação da supremacia da cidade sobre o campo e do homem sobre a mulher. Mas, o que me comoveu, arremetei, foi o grande esforço humano, que ali, na China de hoje e de sempre, realizava prodígios. Enfim, em três horas de jantar ficamos sabendo: Sérgio Rouanet dizia como John Gilgued, impecável e majestoso. Bárbara Freitag, a Dama de Berlim, havia sem responsabilidade formada, realmente matado Carlos Lacerda -, John Parsons amava os vegetais. Disse-lhe que o Trevo de Tiradentes podia ter também além ou no lugar das três palmeiras... um jatobá, uma figueira, uns óleos pardos. Ao que ele acrecentou o Sassafrás. Que árvore linda! Fico a pensando plantada num campo inglês, seu verde profundo na grama esmeralda de Surrey, onde namorei um dia aquele referida menina. E por fim, que Anna era culta, mais lida do que eu pensava, ou melhor, sabia, pois pensava tratar-se de uma Dama de Londres, suave, porém, e nada de ferro. Nucci tem um fundamentalismo bonito. Marília um sorriso que diz tudo e Cidinha, mais uma vez, brilhou. A mais nova entre todos e todas, Cidinha sabia calar e perguntar. Todos a estimavam sobremodo, pois tinha a beleza aliada à nobreza da humildade, mas, contudo, sabia tirar partido das situações para saber algum pensamento mais pessoal de alguns convivas, indagar questões inquestionáveis, e questionáveis, enfim, ainda que uma ninfa na beleza e na idade, Cidinha era uma matrona de Minas, de Catas Altas, onde as senhoras de diminuitivos tinham grande poder. Poderoso amor. Um Deus artista? Preferia um artista Deus. Aliás, diga-se, um mal artista. Ao invés, via-os todos como Deuses que não sabiam que eram. Simpáticos, inteligentes, vivendo seus sonhos - pois tudo passava na terra de José de Alencar. Mas, voltemos aos tempos primordiais, sejamos clássicos-arcaicos, capazes de nominar o nada e o tudo, como se tivéssemos comendo uma banana, à beira de um regato em flor. Visão ruim, olho acostumado, nada via e tudo sabia. Era uma espécie de dedicatória a John Lennon. O Docodema. Jamais pude dizê-lo. Eram olhos sem cristalino, em forma de cavidade aberta; dois osfrádios, um só maxilar, sem opérculo; massa visceral cônica, mas, podia ver as dez cores iluministas, a saber / aedar-se, arcando o corpo como um violino -, poder fazer o muiraquitã -, ter a voz e os amigos de Luciano Pavarotti -, construir (não importa o tamanho), pelo menos, um Taj Mahal -, roubar como Phidias e Tristão Araripe -, plantar como um bom araripista -, ser mendigo durante a noite, nobre a luz do dia -, salvar o ar da terra -, cobiçar todas a mulheres e homens alheios, e fundar uma Fundação.
A Fundação Oscar Araripe em Tiradentes, MG

Enfim, nobre John...Bom dia. As repúblicas, ao contrários das palmeiras imperiais, são sempre monárquicas. São reis oligárquicos em plena guerra pelo poder. Só houve uma república que se preze no Brasil, liderada pelo meu quinto avô, Tristão de Alencar Araripe, lider da Confederação do Equador. Ele não só foi o único brasileiro a derrotar os ingleses como o único que lhes roubou o ouro, no episódio da tomada de Aracati, quando venceu Lord Crochane, o corsário inglês do Imperador. Como Fídias roubou do ladrão, e portanto tem cem anos de perdão. A única coisa boa das nossas repúblicas é que são de operetas. De modo que cada um tem o rei que pode e merece. Sou pela representação familiar eleita, no Congresso, pois as famílias devem ser incentivadas a reunir e guardar informações e histórias do país em seus seios. Mas, antes disto, sou pelo governo do Poeta. O Docodema. Que espero um dia poder ter a honra de lhes mostrar. De modo que neste episódio gentilmente insisto nas três ou mais palmeiras imperiais, quase que tão somente por que podem ser vistas de longe e não corremos o risco de termos no local a cruz de David ou a espada de Alá. Talvez os tais malfadados quadrados (janelas) do monumento (vá lá) possam servir para os namorados tirarem fotografias, com a serra no fundo (será que teremos que "torcer" o monumento?). De modo que assim, incluido todos, inclusive o Prefeito de Tiradentes que "intuiu" esta janela (sem fofoqueiras, porém), vamos poder plantar as nossas árvores em linha e em profusão. Grande contribuição de Ana Maria em dizer que o monumento tinha que ficar. Que fique, mas...bem arborizado. E sua, ao lembrar-se destes seres maravilhosos que são as árvore e em especial o Sassafrás. Jamais vi tão belos quanto nesta nossa região. O Jatobá também. No momento estão em climax  no Chafariz de Tiradentes. Vale a pena ver a quantidade de pássaros.

 

Nossa fundação  www.oafundacao.org.br  só tem um projeto:"Oscar Araripe e seus amigos". A partir disto, já estamos desenvolvendo alguns projetos artísticos, estéticos e outros, como exposições e edições, e, ainda que sejamos uma frágil organização recem-nascida, gostaríamos e deveríamos colaborar com este projeto da entrada de Tiradentes arborizada. Em tempo: será que não teríamos algo mais original que um tão banalizado e provinciano Portal?

 

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