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Oscar Araripe / Maria na Terra de Meus Olhos / por Antônio Houaiss

Oscar Araripe / Prefácio de Antônio Houaiss sobre Maria na Terra de meus Olhos / Editora Rocco, 1975, Rio de Janeiro.

 

Maria na Terra de Meus Olhos irá ecoar e ressoar na sensibilidade e emoção de um sem-número de leitores. Haverá também alguns que dobrarão o nariz e não gostarão – até sem lê-lo.

Sem rótulo formal explícito, provocará desde logo o desafio de como integrá-lo na linguagem e gerações dos espécimes de formas fixas tradicionais: será fácil demais reduzi-lo a poema em prosa, a prosa poética, a prosa-poema, a poemiprosa, pois quem disso tudo e um pouco mais. Não escapará a alguém até a fórmula drummondiana da versiprosa – numa equiparação que sob a mesma palavra juntará tipos de criação fortemente separados pela mentação geradora.

Nessa indagação não poucos irão ver nisso a confluência de linguagens sacralizadas, a dos livros dos mortos egípcios, com seus refrões repetitivos, a bíblica com seus versículos, a asvética com seu ritmo periódico, a “terceira-via” árabe da prosa rítmica, a oratório-dramática ou a dramática-lírica de certos modernos, desde Lautréamont, passando por Cruz e Souza e chegando a Augusto Frederico Schmidt, Claudel e St. John Perse.

Se de tudo fica um pouco, de tudo há aqui um pouco.

Mas o que há aqui é também algo substancialmente diferente e novo.

Há, de início, matéria de literatura e matéria de matéria de literatura – tomada literatura como denotativo de tanto, que quase chega a ser um conotativo sem núcleo semântico básico ou sem referencialidade.

(Pois literatura pode limitar-se a querer ser a arte, isto é, o saber fazer aquilo que, sendo feito com palavras, não é ciência, não é filosofia, não é técnica, nem são as outras artes não-verbais; mas literatura pode ser tudo o que é verbal que, não obedecendo a um duplo cânon – o do rigor dialético demonstrativo calcado nos antecedentes e precedentes de sua própria canônica e o do rigor expressional convencionado tácita ou explicitamente em regras expositivas consensuais -, busca suas próprias regras de estruturação e transformação, simulando às vezes a própria desestruturação e destransformação imobilista; a literatura pode ser também o caso concreto ocorrido em sua unicidade uma só vez e perdido ou esvaído para sempre, salvo se for verbalizado na concretude de uma vivência verbal concretizante sob todos ou quase todos os aspectos relevantes – um documento (literário), digo bem, um documento literário, isto é, aquilo que nos ensina à razão e aos sentidos e à emoção e à afetividade sobre algo que houve e assim não se perdeu; do mesmo modo que pode ser a própria essência de um documento (literário) do inexistente cuja busca seja por si um documento outro (literário), aquilo que nos ensina, à razão e aos sentidos e à emoção, sobre algo que não houve em si mas que pudera ter sido e por isso é premonitório de que possa haver, senão no mundo, pelo menos no mundo interior de cada um –reganhando em atualidade; atual, aquela; potencial esta.)

Há, por certo, os que aqui verão um exercício literário sobre a literatura; mas outros aqui verão literatura sobre a vida, vida embora vivida pejada de literatura, que é uma das feições interiores dos homens modernos vivendo sob o signo dessa urgência necessária também, dentre as muitas urgências vitais, que é a literatura – breviário de vidas havidas ou possíveis, aqui e agora, antes e lá, depois e acolá – transtemporal e translocalmente, como forma eficaz de cada um conviver com o pecado de viver como lobo entre lobos, lobo entre cordeiros ou cordeiro entre lobos, que é o que tem sido e se busca que não seja.

Por enquanto cerco de fora Maria na Terra de Meus Olhos. E, na medida em que o faço, vai-se – nos “meus olhos” – configurando uma lógica de ferro: a que se ergue desde “Tal qual crisálida impetigada” no ventre e já fora do ventre, até “Três, entre passos e espaços comendo ventos”, numa perfeita evolução parabólica cujos ápices são assintoticamente atingidos em vários clímaces, o da guerra entre os homens e nos homens e mulheres e num homem-mulher (que um não é sem o outro), até a morte (sempre presente) e além dela, a saudade, o pouco que pode acaso ficar de algo, o pouco que fica de tudo.

Há, aqui, pois, um canto – ou pranto – ou uma expiação – ou catarse – de um pecado imenso, mesmo que magnificado pelo imaginário culposo e nem por isso menos verdadeiro, mesclado de concretudes idas e vividas mas aguilhoadas nas fibras do cantor, que não sei se se sentirá – como o herói de um Bildungroman – liberto já agora da obsessão suicida, essa de repor aquele então em que a saudade era ainda em germe no gozo e, digamos, na quase-felicidade, o impossível retorno da senescência à juvência.

Há uma narrativa, pois, aqui, ainda que atípica ou transfigurada: épica, no sentido de sua objetividade ocorrencial física ou psíquica; dramática, no sentido de sua objetividade antagonística; mas memorial – e associacionista, de modo que as coordenadas do tempo e espaço afloram ao capricho da memória, essas presenças estruturadas emotiva e afetivamente no cantor em forma de “seus” valores vitais, sociais, sentimentais, seus e de mais ninguém – só agora, que não só seus, nossos também.

Aedo, cantor, contador, poeta, narrador, possesso possuído de outro possesso, vital e “literário”: com ser literário, tem ciência e consciência de que o inédito e inexemplar, se dito édita e exemplarmente, é como se não dito, porque não diz o que queria dizer.

 Assim, esse cantor-contador infringe sistematicamente o dito, que dá por não dito, refazendo a aventura do dizer num esforço de ab initio, que consegue e não consegue – tão social é o homem, mesmo quando tenta expor-se na sua unicidade.

Não é sem razão que a sacralidade, não apenas verbal, que impregna este canto de rebeldia a um tempo a Zoe, a Eros e a Thánatos, das magias e dos mistérios primevo-vivos, aos helênicos e aos pré, aos bruxedos medievais com toques de feitiçarias de todos os quadrantes, é uma mescla arcaica e viva, com fórmulas verbais divinas de par com solturas de vivências escatológicas e fesceninas cotidianas e prefiguradoras. Mas concentradas em função de um mito ou de uma mística – Maria -, germe e fonte e dona de panteões arcaicos, genetriz da terra, da vida, do amor, da morte – que são um só – e de todas as modalidades de ser desses seres, afinal um.

Dispenso-me assim de falar do possesso possuído – Oscar Araripe -, confinando-me a aludir ao possesso possuidor que nele estava (estará ainda?) – o que se diz “eu”, “meu” – na verdade ele, tu, ela, tu-ela, tu-ele.

Os fortes associacionismos paranomásticos – palavra-puxa-palavra – são aqui espasmos lúdicos ou válvulas de escape em certos momentos de contenção obsessiva, e, se criam aura fônica melódica, não são o fulcro graça ao qual, aleatoriamente, se ergueria um sem-sentido polifônico de contrapontos eruditos e populescos. Há um retorno ao tema – este pecado, o viver vivido nestas coordenadas – que se impõe com mente férrea e busca destruir-se, transfigurando-se, numa redenção

“como um sopro de saudade

em vento tecido

em vento

ardoroso vento de

minha saudade

em vento, impresso vento,

na terra de meus olhos “

 

Antônio Houaiss

Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1975

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