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Oscar Araripe é indicado Doutor Honoris Causa da UFRJ

 

Paulo Horn, presidente da Alumni-FND, entrega a Oscar Araripe o certificado de indicação ao título de Doutor Honoris Causa da UFRJ / Salão Nobre da FND , 12/11/2019.

 

 

Ofício Conjunto, nº 01/19 ALUMNI FND / CONSELHO DE MINERVA

 

 Rio de Janeiro, 12 de novembro de 2019.

 

 

À Egrégia Congregação da Faculdade Nacional de Direito do UFRJ.

 

Assunto: Indicação conjunta de personalidade para agraciamento com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

 

 

Estimados senhores e senhoras,

 

A Associação dos Antigos Alunos de Direito da UFRJ – Alumni FND, entidade civil de direito privado, representativa dos antigos alunos da Faculdade Nacional de Direito, e o Conselho de Minerva, entidade que representa todos os antigos alunos de todas as faculdades da UFRJ, honrados, e no cumprimento de uma de suas missões, qual seja, a de ajudar no desenvolvimento cultural e administrativo da UFRJ e congregar seus antigos alunos em torno de elevados valores éticos e democráticos, solicita à Egrégia Congregação a indicação do antigo aluno, Oscar Araripe, para ser homenageado com o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ, pelo exposto:

 

Bacharel em 1980 pela Faculdade Nacional de Direito, ex-diretor do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), foi suspenso e teve sua diretoria cassada, em 1964. Em 2016 teve seu mandato e de seus colegas devolvido simbolicamente em sessão solene no Salão Nobre da FND, em evento organizado pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito. Punido três vezes nos quatro primeiros anos da Ditadura, foi anistiado pelo Governo Brasileiro, em 2012.

Oscar Araripe é hoje, aos 78 anos, um dos artistas mais consagrados e renomados do Brasil. É pintor profissional e desenhista, escritor, ensaísta, crítico e teórico de Arte e Cultura, arte-educador, periodista e animador cultural.

 

Ganhou bolsa de estudos na Universidade de Harvard, USA, em 1966 e 1968, e na Universidade Pro-Deo, de Roma, em 1969.

 

Publicou a trilogia literária, Maria, Marta e Eu, alentada prosa com mais de 500 páginas (Editora Rocco, Rio, 1975 / Editora Marco Zero, Rio, 1986), analisada criticamente por Antônio Houaiss, Eduardo Portela e José Paulo Moreira da Fonseca -,  e o ensaio China, o Pragmatismo Possível, Editora Artenova, 1974. Sobre sua trilogia literária, assim escreveu Marcelo Rubens Paiva, na Revista Veja, em agosto de 1983: “Uma carta de amor à natureza e, sobretudo, às mulheres”. De fato, sua narrativa, poeticamente, já no início dos anos 80, pugna pelo respeito à natureza e pela valorização das mulheres, em todos seus aspectos.

 

Jornalista cultural no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora, editou, com Augusto Rodrigues, o jornal Arte e Educação.

 

É membro fundador da INSEA (1974), a Sociedade Internacional de Educação Através da Arte.

 

“Oscar Araripe é o inventor do “Pessoalismo” ou da “New fine art”. Segundo o pintor, o pessoalismo consiste na afirmação do universo da pessoa do artista e se propõe reanimar as belas artes, inovando e reafirmando seus valores eternos. Araripe se apropriou, e introduziu na Pintura, a vela náutica (poliester) como suporte (1984). A vela náutica, além de mais resistente, ao contrário da tela de algodão ou linho, não permite o desenvolvimento de fungos nem o craquelê e, por ser sintética, harmoniza-se perfeitamente com as tintas sintéticas. Introduziu ainda o film laser (como substituto do papel vegetal, onde também inovou) e desenvolveu técnicas próprias, como as transparências obtidas pelas pinturas por trás dos suportes, o uso dos markers e da aquarela acrílica e dos efeitos em 3D. Tais inovações permitiram-lhe, inclusive, expor permanentemente ao ar-livre grandes telas, com estruturas de ferro como moldura. Sua obra Extinção Nunca Mais, por exemplo, exposta durante a Conferência das Nações Unidas, Eco-92, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Brasil, atingiu público estimado de 2 milhões.” (Jacob Klintowitz, crítico de arte. Membro da Associação de Críticos de Arte do Brasil e da Associação Internacional de Críticos de Arte. In catálogo da exposição Flores para Harvard, abril de 2019).

 

Para se ter tenha uma ideia da importância da introdução da vela naútica poliéster e do film laser, diga-se que em toda a história universal da Pintura foram usados apenas 5 suportes, a saber: a pedra, a parede, a madeira, o papel e a tela de linho ou algodão. Araripe introduziu, comprovado e pioneiramente, mais dois novos suportes à Pintura. Some-se a isto a grande durabilidade e beleza da vela náutica poliéster e do film laser, o fato de não contraírem fungos nem provocarem craquelê e ainda permitirem exposições permanentes ao ar-livre, levando a arte da Pintura à centena de milhares de pessoas. Uma enorme contribuição do artista, sem dúvidas.

 

Recentemente, em abril de 2019, além de realizar palestra e quatro exposições de suas pinturas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Araripe realizou workshop com os alunos de arte daquela importante instituição sobre como pintar na vela náutica poliéster. Por dar um destino nobre a este material, teve o apoio e o reconhecimento de seu pioneirismo pela Dimension Polyant, a maior fabricante de velas náuticas do mundo.

 

Vale destacar aqui o depoimento do próprio artista sobre seu autodidatismo na Pintura: “Na década de 1940, eram raras as imagens, principalmente de pinturas. Os mais belos quadros, portanto, eu vi nas histórias em quadrinhos. Aprendi minhas pinceladas fazendo e soltando pipas. Minha imaginação nasceu com o Carnaval do Rio de Janeiro, com os balões de São João dos subúrbios cariocas e com as bolas-de-gude da minha infância, no bairro proletário do Encantado, onde, menino, sonhador, via universos coloridos em “olhinhos” de vidro, girando como um pião, e que eu podia jogar e quebrar, com toda a destreza e vigor”.

 

Pintor paisagista, marinista, realista e subjetivo, possui vasta obra, em fase de catalogação pela Fundação que leva seu nome. Sua obra de pintura e desenho, inovadora, alegre e vivaz, mereceu a atenção crítica de Frederico de Moraes, Pierre Santos, Sérgio Paulo Rouanet, Jean Boghici, Luiz Galdino, Mário Margutti, Milton Ribeiro, Fernando Lemos, Alberto Beuttenmuller, Tertuliano dos Passos, Marylka Mendes, Wilson Lima, José Roberto Teixeira Leite, Oscar D'Ambrosio, Enock Sacramento, Antônio Ceschin e Jacob Klintowitz, entre outros. A destacar-se ainda sua obra Os Pilares, de 1200 imagens, e seus bicos-de-pena sobre Tiradentes e São João Del Rei, Ouro Preto, Bahia e Ceará, assim como seus eróticos, de grande pureza, e seus cobiçados jarros de flores, de grande alegria e frescor. Retratou três heróis brasileiros: Tiradentes, Bárbara de Alencar e Tristão Araripe, os dois últimos seus parentes.

 

É citado na Bibliografia do Grande Dicionário Aurélio e verbete na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho. Figura na Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais.

 

Realizou quase uma centena de exposições, majoritariamente individuais, no Rio, em Minas, na Bahia, em Brasília, no Ceará e em São Paulo. Expôs nos Estados Unidos, França, Espanha, Eslovênia, Grécia, Cuba, Reino Unido, China e México. Possui galeria pessoal em Tiradentes desde 92, e é instituidor, com outros, da Fundação Oscar Araripe / www.oafundacao.org.br

 

Presentemente escreve Minha Vida de Pintor, que disponibiliza em seu site www.oscarararipe.com.br,  onde apresenta suas ideias sobre a pintura, a literatura e a vida em geral. Através de seu site realiza regularmente, e gratuitamente, há mais de trinta anos, oficinas de pintura com crianças (Arte para Salas de Aulas) de escolas públicas e privadas de todo o país. Seu site recebeu a visita, aferida, desde 1999, de mais de 10 milhões de pessoas.

 

Em 2010 expõe na Bienal de Chapingo, no México e seu mural Flores para o Rei-Poeta Netzahualcóyotl é entronizado em caráter definitivo no Centro de Formação Artística e Cultural da Universidade Federal Chapingo, ao lado da bela capela pintada por Diego Rivera.

 

Em 2011 expõe Flores na Galeria Manuel Bandeira da Academia Brasileira de Letras, no Rio, apresentado por Sergio Rouanet e Alexei Bueno -, e publica o artbook Oscar Araripe: capa dura, 030x030cm, bilingue, 348 páginas, com cerca de quatrocentas imagens, textos do autor e fragmentos críticos de renomados críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros. Ainda em 2011 é entrevistado por George Vidor e Guto Abranches na Globo News sobre o tema A Pintura na Economia Globalizada, com audiência aferida de cerca de 60 milhões de pessoas. Realiza ainda, com Sergio Rouanet, palestra na Academia Brasileira de Letras sobre o Centenário do grande crítico literário Tristão de Alencar Araripe Jr.

 

Ainda em 2012 é convidado pelo Ministério da Cultura da China e pelo Comitê Olímpico Internacional para expor na Creatives Cities / Olympic Fine Arts2012London, no Barbican Center / Museu de Londres, Inglaterra, onde lança seu artbook internacionalmente, e ganha Medalha de Ouro com sua tela As Flores abraçam o Mundo. A obra premiada passa a figurar no Forever Memorial das Olimpíadas, em Londres.

 

A 11 de abril de 2013 inaugura a exposição Flore na Galerie Teodora, em Paris, França. Entre os presentes, Jack Lang, Ministro da Cultura da França, no governo de François Mitterand.

 

Em 2014 passa a expor permanentemente na Galerie des Glaces, em Nantes, França; é agraciado com o conjunto de medalhas Pedro Ernesto, maior honraria do Município do Rio de Janeiro e ganha Prêmio de Aquisição na 1ª Bienal das Artes, de Brasília, DF, com a obra Flores com Borboletas.

 

Ainda em 2014 recebe, em Paris, a centenária Medalha de Ouro Arts, Science et Lettres, uma das maiores condecorações da França e a Medalha Cidade de Buenos Aires, ofertada pela administração local.

 

Em 2016, ganha o Prêmio de Aquisição na exposição Aomei Fine Arts Exhibition, no Museu Histórico Nacional, exposição oficial das Olimpíadas Rio-2016, organizada por várias entidades culturais chinesas. Na ocasião profere palestra sobre as relações culturais Brasil-China.

 

Cidadão Honorário de Tiradentes, MG, onde mora e tem estúdio desde 1990, é fundador do Instituto da Liberdade Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e da Academia de Letras Jurídicas de São João Del Rei e Tiradentes.

 

Seu díptico Tiradentes, o Animoso Alferes (3 metros de altura por 3 metros de largura), pintado para o Bicentenário da Morte do Herói, em 1992, foi exposto no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte, no Museu da República, no Rio, no Fórum de Tiradentes, MG, na Praça Tiradentes, em São João Del Rei, MG, na Universidade Federal de São João Del Rei, MG, na Câmara de Mariana, MG e na Fundação Oscar Araripe, em Tiradentes, sendo uma das imagens mais conhecidas do mártir.

 

Araripe recebeu ainda a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo fluminense e o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais, em bela e significativa solenidade no plenário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Seu mural Tiradentes, o Animoso Alferes (versão Rio) foi entronizado em caráter definitivo na Faculdade Nacional de Direito, por ocasião do centenário do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), em comemoração ao Dia Nacional da Liberdade, a 12 de novembro, data do batismo e nascimento do herói. Nesta oportunidade foi agraciado com o Diploma e a Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

 

Em 2017 Seu painel Tiradentes, o Animoso Alferes, versão Ouro Preto, é entronizado no hall principal da nova sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na ocasião a Memória do Judiciário publica o catálogo Oscar Araripe e a Confraria Filmes produz o documentário Os Tiradentes de Oscar Araripe. O rosto do herói figura numa das faces da Medalha da Comenda da Resistência Cidadã, ofertada anualmente no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito pela Alumni-FND em parceria com a Fundação Oscar Araripe e apoio de significativas entidades do Direito e da Justiça.

 

Ainda em 2017 recebe a Medalha da Comenda Lyda Monteiro da Silva, da CAA Vanguarda /OAB-MG e participa da exposição #ArteLiberdade na Fachada Digital da UFMG, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, e depois em Atenas, Grécia, em evento patrocinado pela Embaixada do Brasil local.

 

Oscar Araripe é Diretor Cultural da Associação dos Antigos Alunos de Direito da UFRJ - Alumni /FND e da Artes, Ciências e Letras / Sociedade Acadêmica de Incentivo à Educação Jurídica e Republicana de São João Del Rei e Tiradentes e Conselheiro Emérito do Conselho de Minerva da Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ.

 

Em 2018 é homenageado pela Bienal das Artes de Brasília como Convidado de Honra, e expõe O Brasil Nunca Mais o Brasil.

 

Em julho ganha o título de Cidadão Honorário de Ouro Preto, cidade histórica Patrimônio da Humanidade.

 

Como se sabe, o sentido do título de Doutor Honoris Causa é homenagear pessoas que se destacam na sociedade, mas, acima de tudo, pessoas que construíram um notório saber fora da universidade. Ou seja, é um reconhecimento do mundo acadêmico a alguém que inventou e desenvolveu um saber próprio, amplamente aceito e ministrável.  Seu autodidatismo, sua introdução da vela náutica poliéster na Pintura e a criação e o desenvolvimento de uma técnica própria para pintá-la e expô-la permanentemente ao ar-livre, o uso dos markers e das transparências obtidas por trás das pinturas, os belos efeitos em 3D são algumas de suas várias inovações amplamente reconhecidas, inclusive pela universidade de Harvard, e tudo mais, a justificar plenamente a nossa indicação.

 

Saudações Universitárias

 

Paulo Horn                                                                     Sebastião Amoedo

Presidente da Alumni-FND                                                Conselho de Minerva da UFRJ

 

 

Agradecimento de Oscar Araripe à indicação Honoris Causa

 

Nunca é demais lembrar que o título de Doutor Honoris Causa é uma homenagem concedida pelas universidades, idealmente, às personalidades que se destacaram ao criarem e desenvolverem saberes e fazeres próprios e originais, ou seja, um saber-fazer fora do âmbito acadêmico universitário. Ou, ousando um pouco mais: é um saber-fazer que se faz saber. Uma homenagem, portanto, de sábia grandeza e humildade das Universidades, pois, por ele, elas reconhecem oficialmente a existência de outros saberes e fazeres, aquém e além da academia. Não é por outro motivo que a Academia sueca, por exemplo, faz uma distinção entre os homenageados acadêmicos, que seriam os cientistas -, e os políticos e os artistas, sendo estes últimos  contemplados com os prêmios Nobel da Paz e da Literatura.

Ou seja, diz o dito popular que a vida é uma grande universidade. Isto, é claro, não invalida os conhecimentos acadêmicos, pois estes estão difusos na sociedade e as fronteiras entre vida e academia são bastante imprecisas. Eu, por exemplo, formei-me por esta gloriosa Nacional de Direito, mas nunca exerci a profissão. Contudo, encho a boca (e os pulmões) ao dizer que o pouco-tudo que sou devo a esta faculdade.

A Arte, sem dúvidas, começa pelo grande conhecimento do mundo. E tem uma natureza complexa.

Assim,  ao reconhecer o saber e o fazer de uma causa honorável, a Academia renasce e avança até ao Renascimento, onde arte, ciência e política eram todas províncias do mesmo conhecimento human&iacu